Torna-te! o processo de subjetivação das juventudes negras a partir de suas trajetórias escolares

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Universidade Federal de Goiás

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A pesquisa objetiva compreender o processo de subjetivação de sujeitos jovens negros em suas trajetórias escolares, visando responder à questão: como os processos de subjetivação de jovens negros são impactados por suas trajetórias escolares? Conseguir resposta a esta questão orientou o objetivo geral da pesquisa: compreender o processo de subjetivação das juventudes negras nas rotas de suas trajetórias escolares. O intuito primário se desdobrou em outros de caráter específico: 1- Analisar a influência das estratégias de racismo e embranquecimento na subjetivação de jovens negros e negras nos primeiros anos de vida e escolares; 2- Compreender se e como a escola promove inflexões no processo de subjetivação a partir de projetos de conscientização sobre a história e a cultura africana; 3- Compreender como a subjetivação, pelo prisma das trajetórias escolares, ao final do ensino médio, atua no campo de possibilidades sobre os projetos de vida dos alunos jovens negros e negras. Para alcançarmos o intento, detivemos nosso olhar sobre sete jovens, autodeclarados negros e negras que, no período de 2016 a 2018, participaram do projeto pedagógico “Empodera! Juventudes Negras”, desenvolvido na Escola Estadual Madre Maria Blandina, na cidade de Araguari, Minas Gerais. Circunscrita a esse contexto, na esquematização da metodologia da pesquisa, com base epistemológica na fenomenologia, a pesquisa se firma nas narrativas autobiográficas dos sete jovens, com reflexões fundamentadas, sobretudo em Touraine (2009), Maffesoli (2007), Hall (2014), Fanon (2008), Gomes (2002, 2003, 2017, 2019), Dayrell (2003), Peralva (1997) e Velho (1994). Com eles adentramos a compreensão do processo de subjetivação das juventudes negras, a partir das relações familiares e daquelas estabelecidas no princípio das trajetórias escolares. Encontramos os jovens, propriamente ditos, na fase do Ensino Médio, buscamos identificar as inflexões provocadas no período em que participaram do Empodera! Juventude Negra, para finalmente, fincarmos pé na compreensão do processo de subjetivação das juventudes negras em trajetórias escolares, diante das elaborações de seus projetos de vida, frente às tensões de seus campos de possibilidade. As narrativas foram obtidas por meio de vários instrumentos: produções textuais escritas, questionários, entrevistas orais realizadas individualmente, depoimentos em atividade de grupo focal, postagens em perfis de rede social. Para complementar foram utilizadas fotografias obtidas no acervo da escola, no acervo pessoal dos participantes, nas postagens em redes sociais. Os dados obtidos por meio das narrativas foram analisados na lógica descritivo-interpretativa – análise de conteúdo (Bardin, 2011) permitindo o encontro das categorias desenvolvidas em cada capítulo, cujo tecido textual é cingido com música, poesia, infográficos e fotografias que auxiliam, em outras linguagens, o aprofundamento das reflexões. Em linhas gerais, vimos que os jovens chegaram à escola com suas identidades negras silenciadas, embranquecidas e sem pertencimento; a escola intensifica os estereótipos, promove a invisibilidade e a geografia das beiradas, do não-lugar. As experiências em projetos que promovem a aproximação com a educação das relações étnico-raciais, história da África e cultura afro-brasileira possibilitam aos jovens negros e negras a valorização estética, o reconhecimento da ancestralidade e os sentimentos de pertença e representatividade por meio da apropriação de conhecimentos descolonizados. Os jovens negros e negras de nossa pesquisa na confluência com a pós-modernidade equilibram, em corda bamba, suas identidades, seus sonhos, seus projetos. Suas narrativas nos mostraram como, ao longo de suas trajetórias escolares, vêm construindo as elaborações de si mesmos e se constituindo sujeitos. Nesse processo tendem a um movimento de reexistência e se conectam à ancestralidade em resistência, experimentando-se, (re)elaborando-se e se tornando os sujeitos que podem ser.

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CARRIJO, Valéria Landa Alfaiate. Torna-te! o processo de subjetivação das juventudes negras a partir de suas trajetórias escolares. 2020. 184 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal de Goiás, Catalão, 2020.

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