Literatura e ensino de História: racismo e cidadania no contexto de sala de aula

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Universidade Federal de Goiás

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Ensino de História no Brasil é campo de pesquisa estabelecido a partir do esforço de pesquisadores preocupados, entre outras, com o espaço das linguagens em sala de aula, sobretudo as tradicionais, a exemplo da literatura. Nesse contexto, o presente trabalho tem por objetivo analisar as concepções de racismo e cidadania, no ensino da História, problematizando-os por meio e partir da literatura. Para tanto, elegemos como fontes primárias os romances O Mulato (1881) e O Cortiço (1889), obras do escritor brasileiro Aluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo. A partir dessa escolha, construímos uma metodologia que utiliza as obras como fontes geradoras de discussões em torno e a partir da problematização das concepções de racismo e cidadania na disciplina história, na Educação Básica. A pesquisa recorre a outras obras literárias, de época e contemporâneas, a exemplo dos romances Germinal, A Mulata, Úrsula, romances do século XIX, e, Um defeito de cor, O racismo explicado aos meus filhos, obras contemporâneas. A metodologia de trabalho também esteve alicerçada na aproximação de aspectos teóricos localizados no campo da historiografia e do Ensino de História. Os resultados alcançados permitem indicar ser a arte literária, representada em Aluísio Azevedo, um caminho fecundo para propostas didático-pedagógicas interessadas em abordar as concepções de racismo e cidadania na disciplina história e em relação à formação social e política do Brasil no contexto das fontes analisadas, o século XIX. Por seu valor histórico, O Mulato e O Cortiço significam, para o ensino da História, a oportunidade de problematização do racismo e da cidadania no contexto da formação histórica da sociedade brasileira. O Mulato permite, sobretudo, discutir o lugar do negro na sociedade escravagista e como isso se relaciona com a formação do preconceito racial no Brasil, a partir da historicidade do racismo. De igual modo, O Cortiço possibilita análises críticas acerca da construção da cidadania no Brasil, algo que pode vir a ser feito sob a ótica da escravidão, da vida dos trabalhadores populares e do cortiço enquanto habitação popular em fins do século XIX. Isso feito para pensar a questão dos direitos na disciplina história. Para a sala de aula, a presente pesquisa indica a possibilidade de pensar o racismo e a cidadania em seus regimes de historicidades, podendo, o professor de história, promover diálogos com aspectos da configuração dos conceitos na contemporaneidade. Essa reflexão auxilia na construção de sentidos para o conhecimento histórico em sala de aula, pois, leva em consideração a relação presente e passado, tendo em vista a observação de problemáticas da atualidade, a qual o aluno está inserido, e em relação ao racismo e a cidadania.

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ROCHA, João Pedro P. Literatura e ensino de História: racismo e cidadania no contexto de sala de aula. 2020. 128 f. Dissertação (Mestrado em História) - Universidade Federal de Goiás, Catalão, 2020.

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