O sentido da queixa escolar para professoras do ensino fundamental: análise a partir da teoria histórico-cultural

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Universidade Federal de Goiás

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A presente pesquisa de mestrado inscrita na linha de pesquisa denominada Práticas Educativas, Formação de Professores e Inclusão, desenvolvida no Programa de Pós-graduação em educação da Universidade Federal de Goiás/ Regional Catalão, iniciada em 2018, vincula-se ao projeto interdisciplinar, desenvolvido no Centro de Estudos Aplicados em Psicologia – CEAPSI, que tem por temática a Queixa Escolar e o Processo de Ensino e Aprendizagem nas escolas. No que se refere aos desafios enfrentados no campo educacional, a queixa escolar tem sido uma das problemáticas mais frequentes no processo de escolarização, o que é motivo de busca de intervenções cada vez mais efetivas para sua erradicação. Partindo disso, esta pesquisa tem como objetivo geral discorrer acerca dos sentidos atribuídos à queixa escolar, na perspectiva de professoras do Ensino Fundamental. Cabe ressaltar, que essas professoras possuem alunos atendidos no projeto do CEAPSI. O método adotado está pautado nos fundamentos metodológicos e filosóficos do materialismo histórico-dialético, com base nos referenciais teóricos da Teoria Histórico-Cultural, tendo como procedimento de análise os núcleos de significação. Como parte fundamental às discussões realizadas no trabalho, foram realizadas entrevistas com seis professoras e, posteriormente às transcrições das respostas obtidas, realizou-se uma leitura flutuante do material coletado, além da sua organização em pré-indicadores, indicadores e núcleos de significação. Os três núcleos construídos foram: 1) Queixa escolar: um pedido de apoio na busca de explicação do desempenho escolar do indivíduo; 2) A construção de uma política pública para educação que favoreça o apoio à queixa escolar e, 3) A Psicologia como parceira da equipe escolar na construção de estratégias que superem os resultados insatisfatórios no que se refere à queixa escolar. Como resultado, verifica-se que as queixas escolares recorrentemente responsabilizam o professor, por meio de falas genéricas de autoculpabilização, por alegarem não possuir conhecimentos diante de diversas demandas. Em determinados momentos, a responsabilidade recai sobre o corpo orgânico do aluno. Outro fato visualizado foi o grande desejo das professoras de um saber que resolva as dificuldades por elas vivenciadas no cenário escolar, o que se expressou a partir das necessidades descritas por elas, como refletir acerca de suas ações e práticas pedagógicas frente ao fenômeno da queixa escolar, questão que implica, consequentemente, na abordagem histórico-crítica da realidade. De um modo geral, os dados encontrados nesta pesquisa, sinalizam poucas mudanças no cenário educacional quando se trata do fenômeno da queixa escolar. Conclui-se que os caminhos pelos quais a escola e os demais envolvidos no processo de ensino e aprendizagem percorrem, ainda estão permeados de saberes fragmentados e enraizados no senso comum, o que ocasiona estratégias pedagógicas com discursos fortemente marcados pelo não saber. Todos esses fatores revelam uma organização escolar alheia aos processos sócio-históricos do desenvolvimento humano e do modo como cada um se apropria do conhecimento.

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MOREIRA, R. F. O sentido da queixa escolar para professoras do ensino fundamental: análise a partir da teoria histórico-cultural. 2020. 104 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal de Goiás, Catalão, 2020.

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