Cenas de produção e avaliação de textos na alfabetização: um olhar sobre a prática pedagógica

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Universidade Federal de Goiás

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Este estudo objetiva investigar as práticas pedagógicas de professores alfabetizadores do último ano do ciclo I, terceiro ano do ensino fundamental, da Rede Municipal de Educação de Goiânia, no que diz respeito, ao ensino e a avaliação da escrita. Esta pesquisa é de cunho qualitativo e teve como instrumentos de coleta de dados, a entrevista, a observação e a análise documental. O estudo teve como sujeitos, três professores que ministram aulas de língua portuguesa. Nas análises, focamos nosso olhar em sete propostas de produção textual, e cento e sessenta textos corrigidos. Adotamos nesta pesquisa os pressupostos do interacionismo, que concebe a linguagem enquanto meio de interação social. Os principais autores estudados e que defendem esses postulados foram Bakhtin e um de seus principais interlocutores no Brasil, Geraldi e outros. A análise dos resultados revelou que apesar dos docentes considerarem importante o trabalho com a produção textual, ainda não é dado pela maioria deles o espaço e as condições necessárias para sua realização. Observamos que ainda se tem a concepção de que o ensino da produção textual só deve acontecer quando já se tiver dominado o Sistema de Escrita Alfabética (SEA), ou seja, a técnica da escrita. Os resultados mostraram, que as propostas de produção textual apresentadas aos alunos se mostraram sem atividades prévias, artificiais, mecânicas e repetitivas, com temas prontos eminentemente do gênero narração literária e, muitas vezes, apoiados em imagens, tendo por interlocutor, a escola e o professor. Quanto a avaliação da produção escrita, percebida pelas marcas de correção deixadas pelos professores nos textos dos alunos, percebemos, que, os docentes assumem a correção do tipo indicativa, resolutiva e textual sugestiva, em detrimento da textual interativa. E, quando realizam a textual sugestiva, demonstram a concepção de avaliação de caráter monológica, ou seja, não propicia o diálogo e a interação, portanto, não contribuindo para que o aluno perceba e melhore o seu texto. Esse resultado foi percebido pela análise das marcas de correção deixadas pelos docentes nos textos dos educandos. Além disso, esses destaques priorizam a análise metalinguística em detrimento da epilinguística, apontando mais para os problemas da superfície do texto do que para os aspectos responsáveis pela textualidade e discursividade. Quanto a prática da reescrita individual, percebemos que, apesar de solicitada pelos professores, não houve, durante as observações, um acompanhamento desses nas refacções dos textos, exceto na prática da professora Magda, que realiza, na própria sala de aula, junto ao aluno, a reflexão epilinguística. Já a reescrita coletiva, observada na prática de todos os docentes, aconteceu de forma interativa, com o professor e o aluno problematizando e refletindo sobre o texto, numa atitude colaborativa, visando a melhoria do texto e para a formação de escritores de textos mais eficientes. Pelas análises realizadas, compreendemos, que o ensino da língua, apesar de já ter avançado muito, ainda apresenta nuances desafiadoras, revelando ainda uma distância considerável, entre o saber teórico produzido, e a prática pedagógica realizada.

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MARTINS, Cláudio Rodrigues. Cenas de produção e avaliação de textos na alfabetização: um olhar sobre a prática pedagógica. 2018. 142 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal de Goiás, Catalão, 2018.

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