Do mal-estar docente de professores do ensino médio: contribuições de Nietzsche e Freud

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Universidade Federal de Goiás

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O presente estudo propõe uma investigação sobre o mal-estar docente, compreendendo-o como parte de um fenômeno social e cultural maior presente em toda sociedade ocidental contemporânea, mas que ganha características peculiares no exercício do magistério. De forma específica, o estudo tem como objeto de investigação o mal-estar dos professores do ensino médio de Uberlândia- MG, buscando responder ao problema de pesquisa, e, assim, compreender as razões do mal-estar desse grupo de professores. Para tanto, foi realizada, além de pesquisas bibliográficas sobre o tema, pesquisa empírica com abordagem qualitativa, a qual se apoiou em dados de fontes orais. A partir das entrevistas, procuramos dar voz à angústia que atinge os professores em exercício profissional, buscando entender o que se encontra por traz de sintomas típicos do mal-estar docente, como apatia, desânimo, frustração, adoecimento físico e psíquico, além de outras questões abordadas no roteiro. Buscamos também trazer à cena o contexto da escolha profissional, do exercício do magistério e as representações da docência construídas historicamente. Neste estudo, trabalhamos com duas correntes teóricas para a compreensão das razões do mal-estar: a psicanálise, de Freud, e a filosofia, de Nietzsche. Além dos textos clássicos dos autores, apoiamo-nos em textos de autores contemporâneos, descendentes dessas correntes teóricas. O referencial de Freud nos fornece uma análise histórica e estrutural sobre o mal-estar na humanidade; enquanto o de Nietzsche nos possibilita uma visão culturalista de alguns fenômenos que se mostraram associados a essa angústia que atinge muitos docentes. Verificamos que algumas razões do mal-estar no ensino médio estão associadas às falhas do processo educacional enquanto operador de interdição dos alunos; a degenerescência e depreciação de alguns valores no campo educacional, mais especificamente dos valores de reconhecimento social, autoridade docente; e os valores de ascensão social atribuídos à educação, e de “lugar mater” do conhecimento atribuído à escola. Essas falhas caracterizam uma experiência niilista, na visão nietzschiana de sentimento de orfandade, oriundo da derrocada de valores que orientavam o magistério; além de um complexo movimento de autoagressão e valorizações invertidas, interpretados como ação da má consciência. Todos esses fatores mostram-se como sendo resultado de impasses constituídos na convivência comunitária e nas normatizações que procuram regulá-la, sejam essas normas concebidas como estado de civilização, de moral, ou simplesmente como ética social. Os resultados da pesquisa apontam o estado de passividade e desesperança de alguns professores diante dessas questões. Tendo analisado as razões do malestar, a pesquisa conclui que uma superação desse estado de passividade exige a desvinculação do discurso que coloca o docente como refém e vítima desses dilemas. O estudo aponta, para esses professores, a necessidade do exercício de sua vontade de potência, força humana afirmativa. Postula, ainda, a importância de se reinventar uma nova ética escolar, que concilie as mudanças culturais e sociais da contemporaneidade às exigências para manutenção da vida comunitária com menos conflitos.

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SANTOS, Yara Magalhães dos. Do mal-estar docente de professores do ensino médio: contribuições de Nietzsche e Freud. 2013. 124 f . Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal de Goiás, Catalão, 2013.

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