Comunidade quilombola dos Bagres em Vazante-MG: (re)existências e estratégias de (re)produção social
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Universidade Federal de Goiás
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No período de 1530 a 1888 o Brasil foi reconhecido como pilar populacional de sujeitos africanos escravizados. Os povos negros escravizados resistiram a esse sistema escravista, opressor e colonial dando origem aos quilombos rurais. A comunidade quilombola dos Bagres surge frente a esse processo de resistência em meados do século XIX, localizada no município de Vazante, no noroeste do estado de Minas Gerais. Compreendemos os quilombolas dos Bagres como pequenos produtores familiares, haja vista as formas de manutenção do território, a formação econômica e os elementos organizativos que propiciam a reprodução desses sujeitos. Acerca da (re)produção social nos Bagres, em meados da década de 1950 a produção familiar na comunidade ocorria ancorada na plantação de alimentos para subsistência, na criação de aves com eventual participação de vizinhos na forma de mutirão. No entanto, atualmente a pecuária leiteira se sobressai entre as atividades na comunidade dos Bagres. A produção leiteira nos Bagres ocorreu a partir do processo de modernização dessa atividade, assim como aconteceu no território brasileiro, sobretudo na década de 1990. Neste período tem-se a reestruturação da produção familiar por meio da instalação da
multinacional Nestlé no município de Vazante (MG). A multinacional promoveu um rearranjo no processo produtivo dos quilombolas, estimulando na comunidade a substituição da agricultura pela produção leiteira. Vale ressaltar que a Nestlé nos anos 2000 se retira do território. No entanto, os quilombolas permanecem no setor lácteo. A destarte, buscou-se compreender as estratégias de (re)existência e (re)produção social nos Bagres frente à modernização do espaço rural. Para tanto, considerou-se os seguintes aspectos: a relação desses sujeitos com o território, a construção identitária e as relações sociais e econômicas, desenvolvidas na comunidade dos Bagres. Em suma, as estratégias de (re)existência e de (re)produção social perpassam tanto o material quanto o imaterial, a partir das festividades, da venda de outros produtos para além do leite, do constante encontro com amigos e familiares, das relações de sociabilidade que perpassam o território. Constata-se também que a permanência no setor lácteo enquanto fonte de renda primária e o trabalho rural afirmam um movimento dialético, pois esta fonte de renda é que permite a permanência no território aos olhos dos quilombolas, haja vista que tal ofício foi passando ao longo das gerações. Tais elementos configuram em uma multiplicidade de relações presentes no território, concebidas como atributos do espaço geográfico, garantindo a permanência destes sujeitos na comunidade dos Bagres.
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SILVA, M. C. Comunidade quilombola dos Bagres em Vazante-MG: (re)existências e estratégias de (re)produção social. 2018. 148 f. Dissertação (Mestrado em Geografia) - Universidade Federal de Goiás, Catalão, 2018.
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