Discursividades sobre a EJA do Estado de Goiás: a voz dos professores e dos documentos oficiais em análise
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Universidade Federal de Goiás
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Esta pesquisa propõe-se a investigar os dizeres de sujeitos professores de Língua Portuguesa
da Educação de Jovens e Adultos do estado de Goiás em relação aos dois documentos oficiais
do estado: as Diretrizes Curriculares da Educação de Jovens e Adultos do Estado de Goiás e
as Matrizes Curriculares de Língua Portuguesa: Primeira e Segunda Etapas – Ensino
Fundamental. Para tanto, colocamos em uma arena discursiva as várias vozes oriundas da
prática escolar e da política institucional pública. Coletamos dizeres de dez professores de
instituições públicas que trabalham com essa modalidade de ensino, sendo eles sujeitos de
diferentes cidades, jurisdicionadas às Subsecretarias Regionais de Morrinhos, Catalão,
Itumbiara, Pires do Rio e Piracanjuba. Foram analisadas, nas sequências recortadas,
recorrências discursivas que caracterizam os dizeres dos sujeitos pesquisados em uma relação
de alteridade com o sujeito aluno. Como suporte teórico, recorremos ao Círculo de Bakhtin e
à Análise do Discurso Francesa, de Pêcheux, para discutirmos alguns conceitos fundantes das
relações dialógicas, tais como sujeito, concepção de língua, alteridade e diálogo. Outras
discussões deram-se tendo como referência Michel Foucault, no qual fundamentamos as
discussões acerca das relações de saber e poder. Ainda descrevemos os efeitos de sentido
advindos das práticas discursivas e sociais que envolvem a Educação de Jovens e Adultos.
Vale ressaltar que nossa investigação teórica utilizou-se da proposta de Análise de
Ressonâncias Discursivas em Depoimentos Abertos, de Serrani-Infante (1998), para a coleta
de dados, a transcrição dos depoimentos coletados, e a análise do corpus. Isso nos permitiu a
ausculta das diferentes vozes com as quais o sujeito professor de Língua Portuguesa de
Educação de Jovens e Adultos dialoga, ressoando, assim, uma representação que o próprio
professor tem de si, que é construída na relação com o outro, sendo perpassada pelos
discursos da psicologia, do discurso neoliberal e pelas relações de saber e poder. Em vários
pontos, o discurso institucional constituído na arena sócio-discursiva converge para a mesma
formação discursiva dos professores, pois se inscrevem em uma formação imaginária, em que
o aluno da EJA é idealizado, e, logo, o professor também o é. Na ordem do discurso dos
documentos, há a prescrição como forma de convencer os professores a terem determinadas
práticas de ensino. No entanto, eles posicionam-se axiologicamente, revelando uma prática de
ensino que leva em conta as necessidades dos seus alunos, instaurando um professor que
responde ao outro e que é responsável por uma tomada de posição ética.
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Citation
COSTA, R. M. Discursividades sobre a EJA do Estado de Goiás: a voz dos professores e dos documentos oficiais em análise. 2015. 401 f. Dissertação (Mestrado em Estudos da Linguagem) - Universidade Federal de Goiás, Catalão, 2015.
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