Mudanças do mundo do trabalho: a apropriação dos espaços e da subjetividade dos/as trabalhadores/as da montadora Mitsubishi Motors Company do Brasil na cidade de Catalão (GO)
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Universidade Federal de Goiás
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As transformações espaciais, inerentes ao movimento de Reestruturação Produtiva,
provocaram um acirramento nas relações sociais, sobretudo nas relações próprias do mundo do
trabalho. Concomitante à reorganização do modelo de produção de mercadorias, nota-se o
estabelecimento de “novas” formas de relações de trabalho. Essas são alicerçadas nos princípios da
polivalência, da multifuncionalidade e da flexibilização do trabalho, impostos pelo mercado
capitalista, e esse acirramento, além de fortalecer as contradições próprias do sistema capitalista,
estabeleceu uma “nova” fronteira de apropriação do ser genérico que trabalha. Nesse sentido, as
transformações provocaram mudanças profundas que impuseram ao corpo da classe trabalhadora,
mesmo com o acirramento da disputa, um ponto de vista individualizado. O trabalhador, agora sob
a dinâmica ampliada da produção, torna-se parte integrante do processo de produção para além do
ambiente da fábrica. A apropriação do trabalhador em diferentes níveis, dentre os quais cabe
destaque para a apropriação de sua subjetividade, objetivando fortalecer o controle social
necessário à perpetuação do sistema, transfigurou as relações redefinindo os antigos limites de
apropriação do indivíduo genérico que trabalha. Assim, essa pesquisa se desenvolveu a partir dos
pilares dos conhecimentos geográficos. A Reestruturação Produtiva do capital, com a adoção da
desterritórialização/territorialização/re-territorialização e a flexibilização das relações sociais e do
trabalho, dentre outros fatores, fez com que fosse necessário materializar esta pesquisa neste
campo de investigação. O trabalhador da montadora de veículos MMCB 1
vem sendo submetido a
um regime de trabalho superior ao tempo definido pelo relógio de ponto. A adequação imposta
pelo movimento de Reestruturação Produtiva impôs ao trabalhador a reprodução ampliada,
realizada fora do ambiente de trabalho. Os trabalhadores, além de cumprirem uma rotina de
trabalho extensa, devem buscar minimizar a possibilidade de demissão através da qualificação
profissional continuada, que, além de limitar as possibilidades profissionais, dociliza o trabalhador
à necessidade da empresa, desse modo, o convívio social é apropriado tendo em vista que os
ambientes de sociabilização estão todos na órbita da atividade laboral. O medo, em um mundo do
trabalho global, precário e instável, faz-se presente em todos os momentos da vida cotidiana do
trabalhador. É sobre este terreno de investigação que se propôs efetivar esta pesquisa, buscando
alcançar, dentre outros objetivos, desvelar as facetas do sistema capitalista na busca por superar a
limitação do corpo e do tempo, apropriando-se da capacidade cognitiva dos trabalhadores para
além do espaço do chão de fábrica. Nesse sentido, apresenta-se esta pesquisa, como parte do
projeto que visa a busca de embasamentos contemporâneos para compreender o mundo do
trabalho.
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Citation
SANTANA, E. B. Mudanças do mundo do trabalho: a apropriação dos espaços e da subjetividade dos/as trabalhadores/as da montadora Mitsubishi Motors Company do Brasil na cidade de Catalão (GO). 2017. 125 f. Dissertação (Mestrado em Geografia) - Universidade Federal de Goiás, Catalão, 2017.
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