Identidade e memória em Diário de Bitita, de Carolina Maria de Jesus: uma “história contada” acerca dos anos de 1920 a 1940, no interior do Brasil

Loading...
Thumbnail Image

Journal Title

Journal ISSN

Volume Title

Publisher

Universidade Federal de Goiás

Abstract

A obra de Carolina Maria de Jesus se faz cada vez mais conhecida no mundo das letras e acadêmico, sendo de extrema relevância para uma leitura crítica acerca do mundo no qual viveu. Desse modo, estabeleceu-se como objetivo geral desta pesquisa, analisar, de forma ampliada, a história de vida d essa escritora por entre as décadas de 1920 e 1940, recorrendo para tal o seu livro autobiográfico Diário de Bitita, no intuito de perceber os meandros da memória e de seu processo de construção identitária. Como objetivos específicos, buscou-se refletir sobre o movimento de formação de identidade da personagem, abordando aspectos socioculturais que circunscreveram sua existência e suas experiências ao tratar da representação do mundo social, advinda de suas práticas e memórias decorrentes e formadoras de um imaginário social nos anos em que viveu no interior do Brasil, domiciliando em Sacramento/MG (1914-30) e em Franca/ SP (1930-37). A relevância deste estudo se dá na medida em que temos uma história narrada a partir da visão insider de Carolina e de seu cotidiano, aspectos em muito diferenciados dos compêndios, d e tratados teóricos e obras historiográficas. A trajetória, o percurso traçado pela escritora no seu existir, nos abre possibilidades de ver o mundo sob a perspectiva da personagem edificada, com suas dores e alegrias, anseios, emoções, expectativas e projeções. Ao abordar o tema da identidade, intrínseco à história e às memórias de Carolina, não queremos exauri -lo, mas contribuir com os estudos acerca da autora e do assunto tanto no campo da Psicologia Social, como da Literatura e da História. A metodologia utilizada está pautada nos pressupostos da História e da Psicologia, estabelecendo diálogo com autores que desenvolvem e trabalham os conceitos de identidade, memória, representação, imaginário e cultura, e que recorrem a Literatura como fonte documental e testemunho histórico. Dessa forma, nosso procedimento é recorrer ao texto literário de Carolina, Diário de Bitita, bem como a outras fontes, como livros, capítulos, artigos científicos, dissertações e teses. Partimos da perspectiva que a literatura, longe de ser algo a-histórico e atemporal, fruto solitário da fantasia, está alicerçada na sociedade e no tempo em que fora produzida e aos quais se refere. Como proposta de intervenção no ensino de História, idealizamos um material pedagógico, que explora a relação Literatura e História em Quadrinhos, para trabalhar com os alunos temas específicos inerentes às experiências dos negros e que permeiam a sociedade brasileira presentes no Diário de Bitita. Enquanto pesquisador, nossa proposta foi a de buscar e aprofundar o conhecimento acerca das questões do sujeito inserido no mundo e su a relação com o meio social e cultural contribuindo assim para a emancipação dos sujeitos enquanto tais. Para isso, procuramos através do olhar da autora reconstruir não só dimensões de uma vida pessoal, mas também considerá-la como simbólica por representar a existência de outras pessoas e facetas de uma sociedade e de uma época passada, cheias de elementos a serem analisados que nos auxiliaram no entendimento de como se estruturava e se constituía o social do ponto de vista de uma mulher, negra e pobre.

Description

Citation

NEVES JUNIOR, Romildo Rodrigues. Identidade e memória em Diário de Bitita, de Carolina Maria de Jesus: uma “história contada” acerca dos anos de 1920 a 1940, no interior do Brasil. 2019. 156 f. Dissertação (Mestrado em História) - Universidade Federal de Goiás, Catalão, 2019.

Endorsement

Review

Supplemented By

Referenced By

Creative Commons license

Except where otherwised noted, this item's license is described as Acesso Aberto