A luta pela terra no sudeste goiano: o assentamento Olga Benário de Ipameri (GO) pela narrativa de agentes pastorais da Comissão Pastoral da Terra (CPT)
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Universidade Federal de Goiás
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Os estudos sobre a questão agrária efervesceram a partir da década de 1980 e o tema se mantém continuamente despertando interesse sobretudo entre as ciências humanas e sociais. De forma genérica, entende-se questão agrária por um problema que consiste na acumulação de terras e assim promove o desenvolvimento do capital ao custo da distribuição injusta da terra. A Questão agrária brasileira possui raízes no período colonial, no entanto é com o advento do capitalismo que esta se torna uma questão mais latente, despertando o interesse de outros atores sociais que não os diretamente envolvidos a princípio, e ainda impulsiona a organização destes últimos em movimentos sociais. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) é um dos organismos que nasce motivada pela injustiça social que versa a questão agrária e desde o ano de 1974 atua denunciando conflitos no campo, assessorando camponeses e promovendo a educação popular. A fim de compreender como se efetiva as ações da Comissão Pastoral da Terra, propõe-se por meio das narrativas de agentes pastorais da CPT - Regional Centro-Sul e da Diocese de Ipameri (GO), elenca-las e analisá-las. Para tanto, definiu-se como área geográfica de pesquisa o Assentamento de Reforma Agrária Olga Benário de Ipameri (GO). Para o alcance dos objetivos, optou-se por trilhar o caminho metodológico que compreendeu o levantamento do aporte teórico sobre o tema, realização de entrevistas abertas a partir de questionários semiestruturados, observação participante e análise dos dados obtidos. Verificou-se que, embora a Comissão Pastoral da Terra seja um organismo vinculado à Igreja Católica, sua atuação na Diocese de Ipameri tem relevante autonomia e articulação inclusive com lideranças religiosas de outros credos. Quanto à atuação da CPT junto aos assentados do Olga Benário, aferiu-se que o primeiro contato ocorreu ainda no acampamento e se estende até os dias de hoje por meio de várias ações, com destaque para as formações oferecidas e para o incentivo do protagonismo feminino, que é notório ao conhecer o funcionamento das duas maiores associações do assentamento. Verifica-se que o relacionamento das famílias assentadas com a CPT é amistoso e solidário de ambas as partes. Atualmente o desafio para os assentados do PA Olga Benário é a permanência em suas parcelas, a sobrevivência na terra e, neste sentido a Comissão Pastoral da Terra tem contribuído de forma decisiva, se utilizando de sua articulação política com outros atores para prover melhorias para o Assentamento. A intervenção da CPT junto às comunidades camponesas ocorre através de agentes pastorais que estão inseridos nos respectivos contextos locais, como é o caso da atuação da Diocese de Ipameri, esse trabalho é denominado pela entidade como atuação de base, como o próprio nome sugere, é este trabalho o pilar, o que sustenta e dá sentido da existência da Comissão Pastoral da Terra.
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ALVES, Kênia Larissa Santos. A luta pela terra no sudeste goiano: o assentamento Olga Benário de Ipameri (GO) pela narrativa de agentes pastorais da Comissão Pastoral da Terra (CPT). 2018. 110 f. Dissertação (Mestrado em Geografia) - Universidade Federal de Goiás, Catalão, 2018.
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