Cosmopercepções sobre interação, aprendizagem e ensinagem de estudantes indígenas na UFCAT
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Universidade Federal de Catalão
Abstract
A presente tese investiga os desafios enfrentados por estudantes indígenas na Universidade Federal de Catalão (UFCAT). O estudo partiu da premissa de que, apesar dos avanços em políticas afirmativas, a inclusão indígena nas universidades ainda é limitada por barreiras linguísticas, epistemológicas e estruturais. A hipótese dessa tese foi a de que políticas linguísticas e institucionais devem contribuir com a permanência e melhoria das relações entre estudantes indígenas e não indígenas na universidade, possibilitando o aprendizado dos estudantes indígenas. O objetivo principal do estudo foi compreender o processo de aprendizagem e de comunicação dos estudantes indígenas, com estudantes e professores/as não indígenas, nos cursos de graduação da UFCAT, para fomentar políticas acadêmicas e pedagógicas que valorizem a presença dos/as indígenas na universidade como produtores/as de conhecimento. Especificamente, objetivamos refletir sobre as políticas vigentes e os direitos assegurados aos indígenas; compreender e analisar o desenvolvimento da comunicação, aprendizagem e ensinagem dos estudantes indígenas, com estudantes e professores/as não indígenas nos cursos de graduação da UFCAT; problematizar se as atividades de ensinagem e aprendizagem desenvolvidas pela UFCAT interferem na permanência e/ou desistência dos/as estudantes indígenas. Para isso, foram utilizadas metodologias qualitativas, incluindo rodas de conversas com estudantes indígenas e questionários aplicados a estudantes e professores/as não indígenas. A fundamentação teórica se apoiou em conceitos da colonialidade do saber (Quijano, 2005; Santos; Meneses, 2010), da linguística aplicada crítica (Moita Lopes, 2006) e da epistemologia indígena (Baniwa, 2019; Krenak, 2019). A pesquisa evidenciou que os estudantes indígenas vivenciam um contexto de exclusão acadêmica que vai além das dificuldades linguísticas, abrangendo a desvalorização de seus saberes tradicionais e a falta de políticas institucionais que promovam a interculturalidade. As rodas de conversas revelaram que muitos estudantes indígenas sentem que precisam provar constantemente sua capacidade acadêmica e que suas formas de conhecimento são frequentemente desconsideradas. Em contrapartida, os dados coletados junto a estudantes e professores/as não indígenas indicaram uma percepção reduzida desses desafios, muitas vezes resumindo a inclusão indígena a uma questão de adaptação individual, sem considerar os entraves estruturais da universidade. Diante dessa realidade, foi possível elencar estratégias para tornar a UFCAT um ambiente mais inclusivo e intercultural. Entre as medidas sugeridas estão a criação de um Centro de Estudos Indígenas, a implementação de políticas linguísticas que permitam a produção acadêmica em línguas indígenas, a capacitação de professores/as para o ensino intercultural e a curricularização dos saberes indígenas nos cursos de graduação. Além disso, sugere-se um programa de acompanhamento acadêmico e emocional para os/as estudantes indígenas, visando a garantir sua permanência e sucesso na universidade. Os resultados desta pesquisa contribuem para o campo da educação indígena e das políticas de inclusão no ensino superior, demonstrando que a presença indígena nas universidades não deve se limitar ao acesso por meio de cotas, mas deve incluir transformações estruturais que permitam a valorização de suas culturas e epistemologias. O estudo reforça a necessidade de uma educação intercultural, que dialogue com as realidades indígenas e rompa com o pensamento colonial nas instituições de ensino. Assim, a UFCAT e outras universidades podem se tornar verdadeiros espaços de trocas de saberes, onde os estudantes indígenas não apenas aprendam, mas também ensinem, consolidando uma perspectiva decolonial no ensino superior brasileiro.