Literatura e direitos humanos: uma análise da interdiscursividade jurídico-humanitária em O último dia de um condenado e Os miseráveis, de Victor Hugo
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Universidade Federal de Catalão
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A presente pesquisa foi desenvolvida a partir do mirante teórico da Análise do Discurso de linha francesa com inscrição nos postulados teóricos de Michel Pêcheux (1997), (2008), (1999), (2011), (2014), além das formulações teórica de Orlandi (2001), (2007), (2015), (2017). Para isso foram abordadas questões concernentes a sujeitos, posição-autor, formação discursiva, formação ideológica, formação imaginária. Busquei ainda em Fernandes (2017) a conceituação de discurso jurídico. Ademais, me propus a caminhar por dois importantes documentos históricos da história da defesa de direitos: A Declaração de Independência dos Estados Unidos da América e a Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão sob a ótica de West (2017), Hunt (2012), Ford (1982), Gonzaga (2004). Busquei em Santos (2004) o suporte metodológico para a construção das matrizes discursivas de onde emanariam os efeitos de sentidos sobre a interdiscursividade jurídico-humanitária em O último dia de um Condenado e Os miseráveis. Assim, na intenção de entender a posição-autor Victor Hugo dentro da discursividade dessas duas obras, me vi norteado pelas seguintes questões de pesquisa: Quais seriam os discursos que constituiriam a discursividade de O último dia de um condenado e Os miseráveis capazes de produzir uma interdiscursividade jurídico- humanitária? Teria a posição-autor Victor Hugo encontrado no seu projeto estético literário meios para a organização de um código ético, moral e jurídico que abarcasse os Direitos Humanos? Como pensar a noção de autoria em ambas as obras quando evocado aquilo que hoje compreendemos como Direitos Humanos? Assim, de posse dessas questões e do aporte teórico mencionado é que objetivei estudar o discurso jurídico-humanitário considerando o tema dos DH a partir das obras literárias O último dia de um condenado e Os miseráveis, de Victor Hugo. Isso de modo a analisar o discurso jurídico-humanitário numa perspectiva interdiscursiva a partir dos recortes das referidas obras. Ao término da análise, pude concluir que há nos recortes analisados de ambas as obras a organização desse código ético, jurídico e moral em defesa de Direitos Humanos inalienáveis do povo francês. Isso de modo a apontar o rol de direitos que emanam dos efeitos de sentido dessas sequências discursivas recortadas.