A territorialização do setor sucroenergético no município de Morrinhos - Goiás: transformações territoriais e (re)existências
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Universidade Federal de Goiás
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A reestruturação produtiva do capital expressa a reformulação sociometabólica do sistema
capitalista como é afirmado por Alves (2007). Nessa constante ação criativa, como nos diz
Harvey (2011) são elaboradas as condições de adaptação e criação conjuntural, pelas quais, o
capitalismo garante a hegemonia exploradora do trabalho. Nesse ínterim, a ação
modernizadora do território brasileiro, consistiu na geopolítica que garantiu a expansão
capitalista pelo país. Dentre as várias crises estruturais do capital, a dos anos 1970, ganha
ênfase pela rearticulação dos territórios em escala global. No Brasil a reestruturação produtiva
do capital tem como base sustentadora o Estado neoliberal a partir do final da década de 1980,
que como suporte ideológico da reestruturação produtiva, passou a atacar o controle do
mercado pelo Estado, responsabilizando essa condição pelas mazelas sociais e implantando o
Estado Mínimo, em que, as grandes corporações deviam controlar a economia. As políticas
privatizantes tornam-se o carro chefe da política brasileira a partir desse período. Nesse
contexto, o campo brasileiro é considerado estratégico, pois ocorre o fortalecimento da ação
das grandes corporações, que passam a controlar, importante fatia da produção brasileira, pela
via dos complexos agroindustriais responsáveis pela produção de commodities para o mercado
mundial com desdobramentos espaciais substanciais. Seguindo essa vertente, propôs se o
estudo sobre a territorialização do capital, a partir da modernização do campo no Município
de Morrinhos - Goiás. Partimos do pressuposto que esta atividade é resultado da
reestruturação produtiva do capital no Brasil que se territorializa em Goiás a partir do final da
década de 1970. Tal realidade coloca Goiás como ponto estratégico para a lógica produtiva do
capital, tendo a modernização do campo como uma das faces do processo de apropriação e
uso dos territórios. O Município de Morrinhos entra nessa lógica pela relevância econômica
que o campo desempenha a partir da chegada do setor sucroenergético, se constituindo, em
uma das principais atividades produtivas do Município. Nesse sentido, o objetivo da pesquisa
foi compreender as implicações socioespaciais da territorialização do capital pelo setor
sucroenergético no Município de Morrinhos; as novas relações de produção, os efeitos
socioambientais, as mudanças na pecuária leiteira e outros, sob os moldes da ação destruidora
e concentradora do capital. Para confrontar a ação expansionista do capital no Município de
Morrinhos considerou-se a ação destrutiva na educação no campo, os efeitos na pecuária
leiteira e as (Re)Existências construídas pelas Comunidades Camponesas. Para tanto,
pesquisou-se a COOPERFAT - Cooperativa dos Agricultores Familiares do Assentamento
Tijuqueiro e as políticas públicas (PAA e PNAE) em Morrinhos que apresentam elementos
significativos de autonomia em relação ao agronegócio. Para isso foi feita revisão
bibliográfica, trabalho de campo, levantamento de dados e documentos relativos ao Município
e entrevistas com vários sujeitos envolvidos no processo de territorialização da atividade
canavieira no Município de Morrinhos. Por fim, percebeu-se que os camponeses/agricultores
familiares quando se apropriam das políticas públicas constroem ações políticas, tendo em
vista, a reprodução social e asseguram alimentos saudáveis, trabalho, geração de renda e
sustentabilidade.
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MARCELINO, Marcos Antonio. A territorialização do setor sucroenergético no município de Morrinhos - Goiás: transformações territoriais e (re)existências. 2016. 114 f. Dissertação (Mestrado em Geografia) - Universidade Federal de Goiás, Catalão, 2016.
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