Loucura e identidades de gênero e de sexualidade na obra primeiras estórias, de Guimarães Rosa
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Universidade Federal de Catalão
Abstract
O discurso da loucura tem produzido e configurado diferentes efeitos de sentidos ao precipitar os deslocamentos e demarcar a constituição de diversos sujeitos no devir descontínuo da história. A loucura, com efeito, é situada no balizamento da razão e tem delineado maneiras diferentes de ‘ser’, comportar-se, vestir-se, bem como construções identitárias diferentes para mulheres e para os homens. Nesse sentido, o objetivo geral desta pesquisa consiste em analisar, discursivamente e sob os postulados de Michel Foucault, de que maneira o discurso da loucura configura e constitui o sujeito-mulher em Primeiras Estórias (1962; 2005), de Guimarães Rosa. No que diz respeito ao corpus desta pesquisa, objetiva-se problematizar como tal discurso potencializa e institui maneiras de ‘ser Mulher’, além de lançar olhar à performação de identidades de gênero e subjetividades passíveis e possíveis de serem produzidas, assumidas, modificadas e por isso transmutadas. Em vista disso, o método adotado é a arqueogenealogia foucaultiana (2019, 2014b) com vista ao discurso e por isso, a necessidade de reparar às sequências enunciativas, os enunciados e discursos outros, as regras de aparição e formação da loucura que produz e escamoteia o sujeito-mulher em uma (in)tensa rede de relações de poder e de força que ganham subsídio na materialidade rosiana adotada. Para tanto, inscrevemo-nos, assim, no campo da Análise do Discurso, de vertente foucaultiana (1988, 1989, 1992, 1995, 1999, 2000, 2014a, 2014b, 2019, 2020) em diálogo com autores como SCOTT (1995), HALL (2006, 2014), LOURO (2014), BUTLER (2020), FIGUEIRA- BORGES (2019), FERNANDES (2006), dentre outros. Por fim, observa-se que a literatura enquanto desdobramento infinito da linguagem é superfície de emergência de discursos que delineiam relações desiguais entre os gêneros do feminino e masculino ao fazer pulular identidades de loucura que situam o sujeito-mulher à condição de não-existência.