Construção de práticas de ensino de leitura: com a palavra o professor
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Universidade Federal de Goiás
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Dar voz ao professor para que ele relate como vem construindo suas práticas de ensino de leitura, descrevendo como se vê, inserido num contexto em que a maioria dos estudos deixa implícito que a dificuldade de construir leitores está no ensino/aprendizagem de leitura, colocando-o como autor do fracasso desse ensino, é o objetivo deste trabalho. Para isso, buscamos levantar aspectos de vivência de três professores atuantes no 5º ano do Ensino Fundamental, procurando identificar as necessidades e dificuldades enfrentadas no trabalho docente; analisar as condições estruturais e materiais, que são oferecidas para os professores na construção de suas práticas de ensino de leitura e observar seus planejamentos no que se refere ao trabalho com a leitura em sala de aula. Partimos do princípio de que, como ressalta Borges da Silva (2001), se os trabalhos acadêmicos almejam contribuir para uma melhoria da educação básica, é fundamental que se considerem as necessidades de conhecimento e as contrapalavras do professor. A pesquisa foi realizada dentro do paradigma qualitativo, a partir de uma abordagem sócio-histórica, tendo em vista um estudo sobre os processos que envolvem a investigação, indo além apenas de um produto final. O processo de coleta de dados, seguindo a tradição da pesquisa qualitativa (LÜDKE e ANDRÉ, 1986), compreendeu a entrevista semiestruturada, dialogada, e a observação dos planejamentos dos professores. A revisão bibliográfica compreendeu estudos sobre a leitura como construção de sentidos, a relação do ensino de leitura no letramento do aluno e a construção das práticas de ensino de leitura e a formação do professor. A pesquisa nos revelou uma realidade de distanciamento entre o que se prega nas leis da educação e o que é cumprido na prática, o que, dificulta que os professores consigam, sozinhos, alavancar a qualidade do ensino público. Os professores se veem em um cenário em que vêm sendo culpabilizados pela dificuldade em se formar leitores críticos e proficientes. Afirmam que, para além das suas responsabilidades enquanto o profissional a quem cabe conduzir o processo de ensino aprendizagem, cabe ao governo fazer valer seu discurso em prol de investimentos de recursos na educação; cabe à gestão escolar romper com uma prática voltada para atender aos interesses do capital, omitindo a função que deveriam desempenhar como colaboradores para o alcance do sucesso do ensino nas escolas públicas, e exercer uma função de coparticipantes na realização das atividades da escola. Constatamos que as horas atividades, o contexto de trabalho, as orientações pedagógicas e a gestão escolar se configuram num emaranhado de empecilhos para que o professor lute por melhores condições de trabalho e por um ensino realmente eficaz. Esperamos que este estudo contribua para o fortalecimento e a consolidação de trabalhos futuros que priorizem dar voz aos professores, em detrimento de pesquisas cujo foco é a realização de estudos sobre suas práticas. Isso porque, a voz desses profissionais, nos mostrou a necessidade de continuarmos repensando o contexto solitário de trabalho em que se inserem, e que vem influenciando negativamente na construção de suas práticas de ensino de leitura
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GUIMARÃES, Sione Pires de Morais. Construção de práticas de ensino de leitura: com a palavra o professor. 2013. 158 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal de Goiás, Catalão, 2013.
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