Estudando na cidade eles querem o quê? Sentidos de escolarização no assentamento Olga Benário de Ipameri-GO

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Universidade Federal de Goiás

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A chegada de alunos do Assentamento Olga Benário a uma escola pública do Município de Ipameri-GO, evento motivador desta pesquisa, desencadeou a questão investigativa com o objetivo de analisar como os processos formativos vivenciados na trajetória de luta pela terra dialogam com os sentidos de escolarização construídos pelos moradores desse assentamento. O caráter qualitativo e participante da pesquisa transportou o locus do estudo para o contexto do assentamento, tendo pesquisador e pesquisados interagido em situações geradoras de dados. A atividade de campo, composta por um levantamento inicial de dados obtidos em visitas às famílias, permitiu uma visão panorâmica da realidade investigada, bem como a localização de possíveis sujeitos para participar da segunda etapa, constituída por Grupos Focais, que teve por objetivo triangular alguns dados empíricos da primeira fase e aprofundar as percepções dos moradores a respeito dos sentidos da escolarização dos filhos e de suas expectativas e projeções futuras. Três grupos focais tiveram atividades interativas com a finalidade de dar voz aos sujeitos investigados. Duas sessões foram realizadas para captar possíveis convergências e divergências entre os dois segmentos representativos detectados na fase exploratória: O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e a ASPROAB (Associação dos Pequenos Produtores do Assentamento Olga Benário). A terceira sessão, realizada com estudantes do assentamento, situou as percepções e vivências de escolarização desses sujeitos. O aporte teórico que conduziu os percursos, as descobertas e as análises da pesquisa considerou o pensamento de Paulo Freire (2002; 2003; 2007; 2014), Miguel Arroyo (2009; 2011), Roseli Caldart (2012), Boaventura de Sousa Santos (2010), David Harvey (2011), Jadir de Morais Pessoa (2007), José de Sousa Martins (1975), Milton Santos (2010). Destaca-se, entre os resultados, a evidência de duas percepções distintas e contraditórias do sentido de escolarização. Uma entende a escolarização dos assentados como uma opção formativa que possibilita a adaptação e a inserção na dinâmica mercadológica da sociedade. A outra entende a escolarização como um desserviço que priva os jovens da convivência produtiva, levando-os a abandonar o campo e a dispersar os sonhos de conquista e permanência na terra. Uma terceira conclusão proveniente da análise da pesquisa aponta que nenhuma das duas concepções dos moradores encontra eco na escolarização urbana efetivada para os jovens assentados.

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FERREIRA, R. Estudando na cidade eles querem o quê? Sentidos de escolarização no assentamento Olga Benário de Ipameri-GO. 2015. 221 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal de Goiás, Catalão, 2015.

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