Das gaiolas, das clausuras às práticas de liberdade: relações de saber/poder em O papel de parede amarelo
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Universidade Federal de Goiás
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A presente pesquisa tem como proposta analisar o processo de constituição discursiva da
subjetividade da narradora-personagem do conto O papel de parede amarelo, de Charlotte
Perkins Gilman. O conto narra a história de uma mulher enclausurada em uma mansão colonial
por seu marido, que é médico, em decorrência da suposta propensão dela à histeria. Na
reclusão, ela percebe outras mulheres presas ao papel de parede do quarto em que está
hospedada. Por esse movimento, escreve em um diário para lidar com suas angústias, anseios
e sentimentos, ao passo que decifra o padrão do papel de parede amarelo. Trata-se de um
corpus literário e por meio dele entendemos que as práticas históricas e sociais produzem a
subjetividade da narradora-personagem. Fundamentamo-nos na Análise do Discurso
enquanto suporte descritivo-interpretativo e analítico, pautados, sobretudo, nas seguintes
noções foucaultianas: relações de saber-poder, práticas de objetivação/subjetivação e de
liberdade, loucura, cuidado de si, escrita de si, resistência, dessubjetivação. O estudo se
estrutura em três capítulos: no primeiro, apresentamos o conto e sua autora, reunimos
pesquisas acadêmicas sobre o conto, apontamos alguns elementos da literatura fantástica
observados nele; no segundo, discutimos o arcabouço teórico-metodógico, analisamos
relações de saber-poder na constituição da loucura no conto; no terceiro, exploramos práticas
de liberdade e de cuidados de si empregadas pela narradora-personagem, evidenciando
processos de dessubjetivação que destituem a identidade dela e a coloca diante de novas
possibilidades de existência. Portanto, nesse processo de análise discursiva foucaultiana,
refletimos sobre as posições-sujeito assumidas pela narradora-personagem, as práticas
discursivas nas quais ela se inscreve e é inscrita, os efeitos do saber-poder incidentes na
(des)constituição dela enquanto sujeito e nas rupturas de padrões e papeis impostos.
Apreendemos que os sujeitos se constituem e são constituídos nos e pelos discursos de dada
conjuntura histórica e social, além de que, ao romper com os padrões impostos, os sujeitos
transgridem normas sociais, resistem a relações de saber-poder e, ao dessubjetivar-se do
modelo padrão que lhes é imposto, produzem novas subjetividades, reinventam-se em um
devir. Foi esse o movimento de resistência construído pela narradora-personagem, a
protagonista da narrativa em estudo.
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Rodovalho, N. M. A. Das gaiolas, das clausuras às práticas de liberdade: relações de saber/poder em O papel de parede amarelo. 2018. 106 f. Dissertação (Mestrado em Estudos da Linguagem) - Universidade Federal de Goiás, Catalão, 2018.
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