Trabalho, fé e patriarcado: as mulheres na produção socioespacial das congadas de Catalão (GO)

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Universidade Federal de Goiás

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Os estudos acerca de gênero vêm sendo desenvolvido a partir de 1960 através do movimento feminista que despertou o interesse de várias ciências, dentre elas, a Geografia, que por estudar o espaço produzido pela sociedade, alcança também seus sujeitos, no caso específico, as mulheres, enquanto sujeito social, trabalhadora, educadora, contestadora. Nessa perspectiva, o objetivo dessa pesquisa foi de compreender e reconhecer o papel das mulheres que trabalham para a apresentação dos ternos de Congo na Festa em Louvor a Nossa Senhora do Rosário, realizada em Catalão (GO). Para tanto, o estudo guiou-se pelos pressupostos da pesquisa qualitativa, seguindo, simultaneamente, as etapas de pesquisa teórica e pesquisa de campo. Na pesquisa de campo foram utilizadas as técnicas de diário de campo; entrevistas e registros fotográficos. Em seguida, fez-se a organização, sistematização e análise dos materiais coletados para obtenção e apresentação dos resultados. A Festa em Louvor a Nossa Senhora do Rosário é uma festa popular que agrega em seu contexto três dimensões: religiosa; comercial e cultural, em todas as dimensões o trabalho feminino é essencial e está concentrado nos bastidores do evento, tendo assim, menor visibilidade. A investigação teórica aliada à pesquisa de campo constatou que essa invisibilidade faz parte da construção histórica da divisão de papéis para homens e mulheres, que ao longo do tempo associou as mulheres ao espaço privado, e os homens ao espaço público, uma coerção do modelo patriarcal, que ainda hoje está presente na sociedade, sendo mais notório através da divisão sexual do trabalho. A aproximação da realidade do trabalho feminino na Festa, permitiu compreender a essência da mesma, visualizando o movimento da sociedade e constatando que as coerções existem, bem como as resistências que estão em várias ações. O enfrentamento ao modelo patriarcal não está apenas na ruptura, mas também na ressignificação de papéis, no qual homens e mulheres assumem funções contrárias ao que foi promovido pelo patriarcado. Porém, as mulheres assumem novas funções sem se desvencilhar do trabalho doméstico. Associado ao espaço menos visível, o trabalho doméstico aprisiona as mulheres a uma invisibilidade social, o que não condiz com a realidade, pois através da Festa do Rosário foi possível constatar que as mulheres são promotoras sociais, elas estão por toda parte, e agem concomitantemente no espaço privado e no espaço público.

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TAVARES, M. J. Trabalho, fé e patriarcado: as mulheres na produção socioespacial das congadas de Catalão (GO). 2015. 106 f. Dissertação (Mestrado em Geografia) - Universidade Federal de Goiás, Catalão, 2015.

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