Discurso, mídia jornalística e relações de poder: formas de enunciar sobre os adolescentes vítimas de incêndio

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Universidade Federal de Catalão

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A presente pesquisa tem como objetivo compreender os discursos jornalísticos produzidos sobre dois incêndios e suas vítimas, dez adolescentes em cada caso, sendo o primeiro no Centro de Detenção em Goiânia (2018) e o segundo no Centro de Treinamento de futebol do Flamengo (Ninho do Urubu), no Rio de Janeiro (2019). São dois acontecimentos distintos, que receberam abordagens jornalísticas diferenciadas, pois envolvem, de um lado, “jovens infratores” e, de outro, “promessas do futebol”. O enfoque recai, com mais ênfase, no primeiro caso, e o episódio do Rio de Janeiro será acionado para compreender como as posições sociais dos sujeitos (delinquente versus jogador de futebol) interferem no modo como o jornalismo e determinados segmentos sociais lidam com os sujeitos em conflito com a lei. O corpus de análise é composto por dez reportagens relativas ao primeiro incêndio e uma sobre o segundo incêndio, e, por meio delas, procura-se entender o funcionamento discursivo de diferentes mídias e analisar a produção e a circulação dos enunciados das matérias jornalísticas, cujos discursos ora culpabilizam as vítimas, preservam as instituições e reforçam o racismo de Estado, ora humanizam os mortos, apontando falhas nas políticas de segurança pública etc. A fundamentação teórica é a Análise do Discurso – enquanto suporte para uma metodologia descritivo-interpretativa e analítica –, sobretudo, as noções foucaultianas de enunciado, discurso, acontecimento discursivo, poder, biopolítica, as quais estão articuladas com reflexões sobre mídia, necropolítica e silêncio. A dissertação se estrutura em quatro capítulos: no primeiro, é feita uma introdução ao corpus, uma apresentação da análise de títulos e subtítulos das matérias jornalísticas selecionadas e dos sujeitos convocados a falar sobre o caso; no segundo, aprofunda-se o olhar, com a descrição de enunciados que se evidenciam em notícias do jornalismo tradicional, e a observação do que é repetido e do que é silenciado em cada uma delas; no terceiro, são analisadas reportagens que narram os acontecimentos pela perspectiva dos familiares das vítimas e enfatizado como isso reformula o discurso sobre o acontecimento; no quarto capítulo, é analisado como diferentes sujeitos são falados por esses canais de informação, e como a posição que ocupam na formação social interfere nos enunciados e discursos formulados a respeito deles. Por meio desse processo de análise discursiva, é alcançada uma reflexão sobre o que é mobilizado pelos discursos para a construção das notícias e como as relações de saber-poder demarcam lugares de sujeito, em dados suportes, culpabilizando-os, e, em outros, humanizando-os.

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NASCIMENTO, Raquel Costa Guimarães. Discurso, mídia jornalística e relações de poder: formas de enunciar sobre os adolescentes vítimas de incêndio. 2021. 194 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem, Instituto de Estudos da Linguagem, Universidade Federal de Catalão, Catalão (GO), 2021.

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