Narrativas de sujeitos surdos: relatos sinalizados de uma trajetória

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Universidade Federal de Goiás

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A surdez consiste na diminuição ou perda da capacidade de receber os sons e na concepção clínica é classificada em grau, tendo a perda calculada em decibéis, podendo atingir um ou ambos os ouvidos e podendo acontecer antes ou durante o nascimento ou, ainda, ser adquirida no decorrer da vida. Sendo a audição o sentido que nos leva a desenvolver a fala oral, o impacto da surdez atinge a aquisição da linguagem dessa modalidade. A língua é a responsável pela estrutura do pensamento, além de marcar a construção do sujeito. Assim, as pessoas surdas têm a opção de se comunicar por meio da língua de sinais e, através dela, perceber o mundo por meio de experiências visuais. Nesse sentido, assumi como objetivo geral, analisar relatos de vida de um grupo de sujeitos surdos com formação em Ensino Superior, com a finalidade de registrar suas histórias. Especificamente procurei identificar e apontar as características de vida desse grupo de sujeitos antes e após o contato com a Libras buscando encontrar um padrão de recorrências nos relatos de vida apresentados e, ao mesmo tempo, decidi elaborar um guia de orientação para os professores sobre o processo de acolhimento do aluno surdo na sala regular de ensino, tendo em vista, a realização da pesquisa em um Programa que prioriza a formação docente. O estudo se justifica por minha experiência e contato com a Libras e configura-se em uma pesquisa qualitativa, tendo como abordagem a narrativa e a descrição. Para isso, contei com variadas e imprescindíveis contribuições teóricas, dentre elas: Aguiar (2004); Bornenave (1992), com a descrição e origem da comunicação humana por meio verbal e não verbal. Identifiquei os sujeitos surdos e a sua concepção educacional histórica com Hall (2006) e Honora (2009). Apresentei a estrutura linguística da Libras e do significado de ser uma língua na modalidade visual motora, através de Frydrych (2013), Ferreira (2010) e Capovilla, (2015). Comungamos com os estudos de Clandinin (2011) e Sarlo (2007) ao considerar o tempo passado como libertador das lembranças e, por meio delas, fazermos narrativas. Os dados apontaram para três padrões de recorrência: A imposição da fala oral pela família, o contato e aquisição da Libras tardiamente e as dificuldades enfrentadas no processo de escolarização. Observei que a identidade do sujeito é construída e perpassada pelas interações e antes do contato com a Libras eles não tinham presença e nem autonomia. Por fim, concluí que pela Libras as coisas passam a ter sentido e que a partir de sua aquisição, o sujeito conquista a autonomia, independentemente da idade e passa a traçar novos caminhos em uma existência que não apresentava qualquer direção.

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ALMEIDA, M. R. P. Narrativas de sujeitos surdos: relatos sinalizados de uma trajetória. 2017. 116 f. Dissertação (Mestrado em História) - Universidade Federal de Goiás, Catalão, 2017.

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