O que os monstros continuam a nos mostrar: a representação das minorias em H.P Lovecraft e Guillermo del Toro

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Universidade Federal de Catalão

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A presente pesquisa tem como objetivo geral analisar como o imaginário monstruoso criado pelo escritor norte-americano H. P. Lovecraft, especificamente na novela A sombra de Innsmouth, alicerçado em uma visão xenofóbica e racista vigente nas primeiras décadas do século XX, pode ser revisitado e subvertido para promover leituras que contemplem questões dos tempos atuais, no que tange ao lugar do outro monstruoso. Especificamente, pretende-se demonstrar como o romance A forma da água, de Guillermo del Toro e Daniel Kraus, valoriza a diferença representada pelo monstro, ao mesmo tempo que critica discursos preconceituosos e excludentes, e como hipótese de que o monstro, nas obras A sombra de Innsmouth, de H. P. Lovecraft, e A forma da água, de Guillermo del Toro, funciona como metáfora para discutir tensões sociais em torno da alteridade e das minorias (lidas como marginalizadas), revelando que, enquanto para Lovecraft o monstro representa a ordem, os padrões, atrelado ao medo e à repulsa do outro racial e cultural, por outro lado, Guillermo del Toro e Kraus o ressignificam como arauto da alteridade, como símbolo da empatia, visibilidade e resistência das minorias. Quanto à sua metodologia no campo do fantástico, a natureza desta pesquisa é de caráter bibliográfico e exploratório, uma vez que utilizará trabalhos já publicados nessa esfera - alicerçada nos estudos culturais que possam contribuir com a temática do “outro monstruoso” nas relações de representação e alteridade -, tendo os objetivos eleitos a ser fundamentados por intermédio do suporte crítico de: Tzvetan Todorov (1970), Remo Ceserani (2006), Jeffrey Jerome Cohen (2000), Mary Del Priore (1996), Zygmunt Bauman (1998), Kappler (1994), Luiz Nazário (1998), Sunand Tryambak Joshi (2014), Martha Robles (1995), S. T. Joshi (2013), Stuart Hall (2004) e Gayatri Spivak (1985), dentre outros. Portanto, entende-se que o diálogo entre Lovecraft e Guillermo del Toro, cada qual em contextos diferentes, mostra que a representação do monstro e do monstruoso evoluiu ao longo do tempo: enquanto Lovecraft, na literatura do horror, usa o monstruoso como metáfora para o medo do outro, Del Toro revisita de forma crítica, subverte e ressignifica, ao representar o monstro ficcional como arauto da resistência e da empatia, e personagens humanos com monstruosidade moral.

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