Apropriação e conflitos pela água: dinâmicas socioespaciais a partir da bacia do rio Bezerra no município de Arraias – TO

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Universidade Federal de Goiás

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A pesquisa foi desenvolvida no Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Geografia da Universidade Federal de Goiás – Regional de Catalão e teve como objetivo identificar, compreender e qualificar os conflitos decorrentes da apropriação e uso da água no município de Arraias (TO), a partir da bacia do rio Bezerra. A pesquisa foi realizada utilizando-se, predominantemente, a metodologia qualitativa, embora em algumas etapas a quantitativa tenha sido utilizada para medir o índice pluviométrico durante o espaço temporal da pesquisa. Nessa pesquisa buscamos compreender as causas que levam a falta de água no município de Arraias (TO) e a gênese da expansão dos conflitos por água entre a empresa mineradora e os atingidos pelo empreendimento, enquanto conflitos socioambientais. Como área de estudo selecionamos a bacia do rio Bezerra onde está instalada a mineradora Itafós Mineração Ltda. O rio Bezerra nasce no município de Arraias (TO) e, corre sentido leste oeste, desaguando no rio Paranã próximo a região conhecida como Vão do Moleque” nos municípios de Monte Alegre de Goiás/Cavalcante/Arraias. Após 20 quilômetros de sua nascente passa a delimitar as fronteiras políticas dos Estados de Goiás e Tocantins, condição que carrega até sua foz. Desde sua nascente as condições socioambientais são agravadas pela ocupação desordenada do solo com desmatamento e construção de barragens. O ponto máximo dessa degradação são as barragens de rejeitos e abastecimento, construídas em 2011 pela Itafós Mineração Ltda. Esses barramentos mudaram consideravelmente, a dinâmica do rio que passou a apresentar sinais de intermitência nos anos seguintes, conforme constatamos durante a pesquisa. Soma-se à atividade mineradora o desmatamento e a construção de represas e poços artesianos nas propriedades rurais ao longo de seu curso. Não obstante essas questões, aparece também na pesquisa a disputa pelo território observada nas Comunidades atingidas pela mineração, desde 2010. As famílias foram expulsas de suas residências e deslocadas para áreas de assentamentos e ou centros urbanos da região, ou seja, Arraias e Campos Belos. Esse emaranhado de problemas coloca a bacia do rio Bezerra, principalmente em sua porção superior, como um território em disputas, em que o agrohidronegócio e a mineração ocupam os espaços e os camponeses são expulsos de seus locais de origem para darem lugar aos empreendimentos capitalistas, a exemplo da Mineração. As análises e impressões contidas nessa pesquisa são frutos do acompanhamento dessa realidade junto à população em várias incursões pelo território em períodos distintos e, em todos verificamos que a água e a desterritorialização eram o centro das preocupações dos habitantes locais. A certeza veio com a conclusão da pesquisa!

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PEREIRA FILHO, P. Apropriação e conflitos pela água: dinâmicas socioespaciais a partir da bacia do rio Bezerra no município de Arraias – TO. 2018. 123 f. Dissertação (Mestrado em Geografia) - Universidade Federal de Goiás, Catalão, 2019.

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