Viabilidades de restauração das fitofisionomias em paisagens fragmentadas na Bacia do Rio São Bento, sudeste goiano

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Universidade Federal de Goiás

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O estudo tem como tema principal a preservação e restauração de áreas prioritárias na Bacia do Rio São Bento, no Sudeste Goiano, tendo como objetivo conhecer a distribuição espacial dos remanescentes de fitofisionomias na área da Bacia hidrográfica do Rio São Bento e suas relações com os demais componentes da paisagem, identificando áreas/remanescentes prioritárias para a conservação/restauração ambiental e a manutenção de possíveis corredores biogeográficos, considerando os fatores que estão condicionando a percepção da paisagem, em que o espaço geográfico exerce suas influências regionais e locais, configurando o objeto maior da pesquisa. Para a realização da pesquisa, adotaram-se procedimentos que obedeceram a uma sequência, a saber; pesquisas teóricas, de campo e de laboratório; retornando à pesquisa teórica para a correlação com os métodos estabelecidos e utilizando a revisão bibliográfica, acompanhadas do trabalho de campo e da análise de imagens de satélites para o reconhecimento da área e para a coleta de informações relacionadas às áreas prioritárias, visando à identificação de possíveis áreas com interesses biogeográficos. Assim, o estudo aborda o Cerrado, um dos Biomas – unidades biogeográficas – mais importantes do Brasil, o segundo maior em extensão, ocupando 25% do território brasileiro, e o segundo em diversidade de espécies, com 5% da fauna e flora mundial e 1/3 da biota brasileira, tendo aproximadamente 2,2% da área do Bioma legalmente protegida. Os aspectos paisagísticos do Cerrado são descritos de modo a entender a caracterização da vegetação, dos solos, do clima, do relevo, dos aspectos litológicos e da geomorfologia, não só do Cerrado, como mais especificamente da área do Rio São Bento, no Sudeste Goiano, foco do estudo, localizada em parte no Distrito de Santo Antônio do Rio Verde, pertencente ao Município de Catalão (GO), e em parte no Município de Davinópolis (GO), sendo um subsistema fundamental no equilíbrio do ecossistema regional do Cerrado, por ser o Rio São Bento o último afluente desta Bacia regional ainda não represado. Bem conservadas até a década de 1960, as paisagens da Bacia vêm mudando significativamente a partir da década de 1970, visto que as condições do relevo aplainado, o fácil acesso a eletricidade, os programas oficiais de incentivo à agricultura e a presença abundante de água possibilitam um aumento na produção agropecuária que garante acesso a um mercado consumidor sustentado por uma malha viária, por rodovias e ferrovias, o que garante o escoamento da produção, principalmente, de grãos. As áreas de Veredas, nascentes dos tributários do Rio São Bento, têm sido atingidas por atividades antrópicas - lavouras, poluição e alagamentos, sem respeito à legislação em vigor, a qual estabelece que essas áreas são Áreas de Preservação Permanente. Com a finalidade de facilitar o entendimento da dinâmica dos diferentes usos do solo, a área da Bacia do Rio São Bento foi compartimentada em três partes: a) o Baixo Curso, que apresenta um relevo acidentado em decorrência do derruimento natural, com usos por pastagens naturais e/ou cultivadas, sendo a parte mais preservada da Bacia; b) o Médio Curso, uma transição entre o Baixo e Alto Curso, que possui um relevo pouco acidentado e é o local menos preservado, pois as áreas planas estão sendo transformadas em lavouras de tratos intensivos e c) o Alto Curso, a área da Bacia onde encontram-se as nascentes do Rio São Bento e também as maiores áreas de Veredas. Com um relevo plano e água em abundância, esta área está ocupada pela silvicultura, lavouras de sequeiro e com pivôs. Com isso as Veredas e as Matas de Galeria estão sendo bastante prejudicadas pela obtenção de água. Diante desse quadro, recomenda-se a tomada de providências para garantir a proteção das espécies e manter a biodiversidade no local, conforme as opções estabelecidas nos mapeamentos apresentados nessa pesquisa: os corredores biogeográficos e as áreas prioritárias de conservação, onde foi demarcado parte do Baixo Curso como área prioritária para conservação; o Médio Curso, apenas como área indicada para a preservação, por ser a ligação entre o Alto e Baixo Cursos, e a manutenção das Matas de Galeria e das Veredas, para a viabilidade de Corredores Biogeográficos e para a preservação da biota da área, no Alto Curso da Bacia. A configuração geoambiental da área, ou seja, a litologia, conjugada com a disposição topográfica plana e com clima e solos favoráveis, é um fator condicionante para a expansão agrária na região e para seus consequentes impactos socioambientais.

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LIMA, P. Q. Viabilidades de restauração das fitofisionomias em paisagens fragmentadas na Bacia do Rio São Bento, sudeste goiano. 2014. 101 f. Dissertação (Mestrado em Geografia) - Universidade Federal de Goiás, Catalão, 2014.

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