“Poder por amor ao poder”: uma análise discursiva das relações de poder em 1984, de George Orwell
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Universidade Federal de Goiás
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A Obra 1984, escrita por George Orwell, retrata uma sociedade em que o Estado se impõe sobre a população de forma totalitária, tanto pelo controle das ações dos indivíduos quanto pela criação de diversos aparelhos de controle e vigilância espalhados em vários pontos da cidade, seja nos espaços de trabalho ou nos espaços domésticos e públicos. Nesse regime autoritário, o Estado oprime e tortura indivíduos, provocando resistência de alguns e adesão de outros. Tais questões serão observadas na sociedade retratada no romance, de forma que possamos problematizar como o poder interpela e constitui os sujeitos, influenciando os modos de produção de sujeitos controlados por tais dispositivos de poder. Nesse sentido, apoiados na Análise do Discurso, com contribuições foucaultinas, propusemo-nos a refletir sobre a constituição do sujeito e as relações de poder que emergem da obra 1984, através de instrumentos normalizadores que “promovem” a docilização do sujeito submetido à sociedade totalitária, narrada no romance de George Orwell. Partindo de tal objetivo, recorreremos aos estudos de Michel Foucault presentes nos livros A Arqueologia do saber (2007), Vigiar e Punir: nascimento da prisão (1999), Microfísica do Poder (1986), dentre outros, nos quais a discussão sobre a temática do poder ganha destaque. Tomaremos o conceito de enunciado como procedimento de análise de sequências do romance para observar as seguintes questões: como o poder se exerce no romance? Quais as possibilidades de resistência ao poder totalitário implantado no romance? Para tanto, serão observadas as práticas e os processos discursivos que promovem o controle social e a constituição dos sujeitos. Portanto, este trabalho se propõe a analisar como se constitui (em) o(s) sujeito(s) na obra de Orwell, e como o poder é exercido, governando e docilizando os transgressores. As análises realizadas indicam que, em primeira instância, há um efeito de exclusão do sujeito rebelde, que passa a ser caracterizado como rebelde/resistente. Em um segundo momento, observa como o sujeito “rebelde”, ao ser exposto às práticas disciplinares, exercidas na prisão, se converte aos preceitos do Partido, alterando a posição ocupada no início da narrativa. Destarte, a partir das análises das sequências narrativas, recortadas e analisadas de nosso objeto de pesquisa, verificamos que há a emergência de discursos voltados à normalização desse sujeito, para só assim estar apto a ser (re) inserido no seio da sociedade fictícia de Orwell. Desse modo, os enunciados analisados apontam para as relações de poder e práticas disciplinares que buscam normalizar e disciplinar o sujeito transgressor.
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TIAGO, H. N. “Poder por amor ao poder”: uma análise discursiva das relações de poder em 1984, de George Orwell. 2015. 145 f. Dissertação (Mestrado em Estudos da Linguagem) - Universidade Federal de Goiás, Catalão, 2015.
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