Elementos climáticos e internações hospitalares por doenças respiratórias em Uberlândia (MG): perspectivas e desafios nos estudos de clima e saúde

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Universidade Federal de Goiás

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Desde a Constituição Federal promulgada em 1988, são ―concedidos‖ aos indivíduos vários direitos sociais, dentre eles o direito à saúde. Direito este que deve ser garantido pelo Estado por meio de medidas que assegurem o tratamento digno dos brasileiros, independentemente de classe social, raça ou religião. Diante de várias transformações e das exigências cada vez mais complexas da sociedade moderna, torna-se necessária uma compreensão mais acurada das questões socioambientais da atualidade. Através da presente pesquisa, verificou-se que, em Uberlândia (MG), de 2005 a 2011, houve um total de 26.934 internações por complicações no aparelho respiratório. Nesta pesquisa verifica-se uma correlação entre a temperatura do ar, umidade relativa do ar e a saúde humana. As doenças com maiores ocorrência é a pneumonia (que soma mais de 45% dos casos totais de internação), seguido de outras doenças como: do nariz e dos seios paranasais; bronquite enfisema; doenças crônicas das amígdalas; influenza [gripe] e asma. A correlação dessas doenças com os elementos do clima fica evidente nos meses de março, abril, maio, junho e julho, nos quais são registrados os maiores números de internações por doenças respiratórias. Nesses períodos tem-se a transição da estação outono - inverno, o que causa significativas oscilações na umidade relativa do ar. Isso acontece devido às temperaturas mais quentes pela manhã e mais frias no final do dia. Esse problema da umidade pode ser verificado em meses como maio e junho, pois a atmosfera torna-se gradativamente mais seca, podendo atingir valores abaixo de 30% de umidade relativa do ar. Em uma análise geral das internações por faixa etária e gênero, tem-se que nas internações hospitalares máximas e mínimas, predomina as crianças até nove anos de idade e os idosos como os mais afetados. As crianças continuam sendo a parcela da população mais afetada pelos problemas respiratórios, ocupando mais de 50% dos casos avaliados. É importante mencionar que, embora exista correlação significativa entre as doenças e o comportamento da temperatura e da umidade, as internações máximas e mínimas devem ser vistos na composição de totalidade (holorritmo), uma vez que esta pesquisa não leva em consideração elementos de outra natureza, como fatores biológicos, psicológicos, emocionais, bem como os aspectos físicos em relação à moradia (infraestrutura, mofos, material de construção), que são elementos fundamentais para o entendimento completo do sistema e das morbidades respiratórias. Torna-se apropriado pesquisar essas internações, uma vez que esses grupos de doenças crônicas representam, hoje, a terceira causa de mortalidade no Brasil, perdendo apenas para as doenças cardiovasculares e as cancerígenas. Nesse sentido, espera-se que, com os resultados deste trabalho, o poder público possa obter condições de melhorar a intervenção na saúde, possibilitando a diminuição dos gastos e a criação de políticas públicas mais eficazes em áreas vulneráveis à propagação de doenças.

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OLIVEIRA, S. M. Elementos climáticos e internações hospitalares por doenças respiratórias em Uberlândia (MG): perspectivas e desafios nos estudos de clima e saúde. 2014. 119 f. Dissertação (Mestrado em Geografia) - Universidade Federal de Goiás, Catalão, 2014.

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