O sujeito professor no discurso de autoajuda

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Universidade Federal de Goiás

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Propomos pelo presente trabalho analisar os efeitos discursivos de construção identitária, observados no livro Pais brilhantes, professores fascinantes, de Augusto Cury, um dos autores representativos da literatura de autoajuda no Brasil. Utilizamos como base teóricometodológica desta pesquisa os postulados da Análise do Discurso francesa, a partir das contribuições de Michel Pêcheux e Michel Foucault. Mais especificamente centramo-nos, nesta pesquisa, nas noções de discurso, sujeito e condições de produção a partir de Michel Pêcheux e sobre sujeito/poder, saber/poder, modos de subjetivação e práticas disciplinares a partir de Michel Foucault. Como caminho metodológico propomos a descrição dos enunciados baseada na proposta de Foucault para o desenvolvimento do método arqueológico. Com o suporte teórico-metodológico analisamos a obra buscando identificar a proposta de constituição identitária do sujeito professor. Observamos um discurso que se realiza em certas condições de produção. O sujeito enunciador determina os lugares ocupados no processo de interlocução a saber: o de enunciador detentor de um saber científico-psicológico, que pretende, por meio de um poder disciplinar e pastoral estabelecer regimes de verdade sobre o sujeito/leitor/professor, e o sujeito leitor, lugar determinado pelo enunciador, como sujeito da falta, aquele que está perdido e precisa de orientação para atuar com presteza em sua profissão. É proposto aos sujeitos professores determinadas disciplinas que configuram modos de subjetivação, que pretendem prender o sujeito em uma malha discursiva, com objetivo de torná-lo dócil e útil. Para isso o enunciador estabelece relações interdiscursivas com os seguintes discursos: científico, religioso, e com os discursos oficiais sobre a educação como os PCNs, essa interdiscursividade mostrada produz sentidos que vão desde uma identificação com o que se está dizendo como verdadeiro até a intimidação, a punição por erros cometidos. Observamos que a proposta de constituição do sujeito professor nesse discurso de autoajuda é de um sujeito individualizado, homogeneizado, que irá revolucionar a educação, uma espécie de super-herói doce. É um discurso que impõe certas disciplinas e não respeita as singularidades.

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SILVA, Samuel Cavalcante da. O sujeito professor no discurso de autoajuda. 2013.114 f. Dissertação (Mestrado em Estudos da Linguagem) - Universidade Federal de Goiás, Catalão, 2013.

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