A multiplicidade de vozes discursivas em a Força do destino, de Nélida Piñon

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Universidade Federal de Goiás

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Empreender um trabalho analítico de um texto literário sob o prisma da Análise do Discurso (AD) é uma tarefa complexa, pois parte-se de uma concepção de linguagem enquanto espaço em que se materializam discursos, os quais se mobilizam sob o efeito da opacidade, em um campo de movência e deslocamento de sentidos. A complexidade de um trabalho dessa natureza se deve ao fato de que tais respostas requerem considerar o processo de constituição dos sujeitos pelo discurso em sua relação com a História, as condições nas quais forjaram o discurso, e considerar, ainda, a especificidade e a função social do objeto estético. Nesse contexto, cabe ao analista observar, compreender e interpretar aspectos linguísticos e estéticos, levando em conta, principalmente, que tais aspectos articulam-se aos elementos sociais, históricos, ideológicos e culturais, colocados em jogo na enunciatividade da obra. Deve ter em mente, ainda, que o texto literário, assim como outros textos, impõe-lhe questões que carecem de resolução. Na produção de efeitos de sentido no texto, essas questões dialogam com a exterioridade e exigem respostas para diversas perguntas, tais como: quem enuncia na obra, de quem ou de que fala, quando enuncia, para quem, por que e de que forma enuncia. A partir desse posicionamento, a presente pesquisa propõe uma leitura do romance A força do destino (AFD), da autora Nélida Piñon, à luz da AD francesa, em interface com os estudos dialógico-polifônicos de Bakhtin. A obra tomada como corpus deste estudo trata-se de uma narrativa metaficcional em que, através da paródia, a narradora dialoga com as personagens e com o leitor, atualizando, dessa forma, o enredo da ópera italiana La fuerza del destino, de G. Verdi. Para perscrutar os efeitos de sentido produzidos no jogo discursivo instaurado na narrativa, filiamo-nos, metodologicamente, nos estudos foucaultianos sobre o sujeito discursivo, considerando que as relações estabelecidas entre os sujeitos evidenciados na materialidade são atravessadas pelo saber e pelo poder. Além disso, utilizamos também, como método, as noções de dialogia e polifonia, de base bakhtiniana, tendo em vista o (in)tenso diálogo entre vozes discursivas que se materializa na obra. Com base nessa metodologia, buscamos compreender como os sujeitos se organizam para se enunciarem em AFD, a partir de um diálogo disperso e descontínuo, provocador de efeitos. E ainda, entender de que forma a multiplicidade de vozes em diálogo na materialidade discursiva desestabiliza a concepção de autor na narrativa pós-moderna.

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RODOVALHO, Ana Marta Ribeiro Borges. A multiplicidade de vozes discursivas em a Força do destino, de Nélida Piñon. 2014. 91 f. Dissertação (Mestrado em Estudos da Linguagem) - Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2014.

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