Onde o bicho-papão se esconde: o medo dos animais na literatura fantástica

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Universidade Federal de Goiás

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Sentimento intrínseco a todo ser humano, o medo é uma emoção que propicia a manutenção da vida e a consolidação das sociedades. O homem não tem controle sobre esse sentimento, pois não escolhe o que temer, e nem quando. Mas durante a noite, os agentes atávicos têm sua área fóbica amplificada, a falta de luz diminui a produção dos inibidores da imaginação, fazendo com que o homem se confunda mais facilmente, projetando assassinos, ladrões, demônios, feras entre outros seres que visão atentar contra a vida do homem em todos os cantos mal iluminados. O medo é um sentimento que pode ser descrito ao mesmo tempo como amorfo e polimorfo, visto que ele não tem uma única e definitiva forma, mas formas variantes que se alteram constantemente em virtude de diversos fatores culturais. Enquanto temática, o medo gera um fascínio no Cinema e na Literatura, principalmente a Fantástica. Aos olhos de teóricos como Roas (2001; 2012) e Lovecraft (2007), o medo é um sentimento basilar à constituição do modo Fantástico; já Todorov (2008) concorda com a importância desse sentimento, mas não o vê como um elemento fundamental para o modo. Discussão essa a parte, esta dissertação visa discutir a constituição do medo do gato, cachorro e corvo, animais polissêmicos que são revestidos de sentidos negativos em algumas culturas, nas vertentes Literatura Gótica e Realismo Mágico da Literatura Fantástica a partir do espaço, enquanto elemento diegético. Lista-se como corpora de análise os contos “O gato preto”, de Edgar Allan Poe; “O preço”, de Neil Gaiman; “A república dos corvos”, de José Cardoso Pires; o poema “O corvo”, de Edgar Allan Poe; o romance O cão de Baskerville, de Sir Arthur Conan Doyle e o cordel “O cachorro dos mortos”, de Leandro Gomes de Barros. Para tal essa pesquisa se dividirá em três partes: uma discutirá Literatura-Cultura-Imaginário; outra conceituar a Literatura Fantástica e suas duas vertentes, relacionar as mesmas com o espaço e o medo; e por último analisar como se dá a construção do medo entorno dos animais nos corpora selecionados. Visando assim comprovar que o medo dos animais sofre nítida influência do espaço da noite.

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OLIVEIRA, Bruno Silva de. Onde o bicho-papão se esconde: o medo dos animais na literatura fantástica. 2014 113 f. Dissertação (Mestrado em Estudos da Linguagem) - Universidade Federal de Goiás, Catalão, 2014.

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