Territórios em conflito: a comunidade Macaúba/Catalão (GO) e a territorialização da atividade mineradora

Abstract

A agricultura camponesa no Brasil tem se desenvolvido na marginalidade do sistema capitalista. No entanto, mesmo sem lhes ser concebida as devidas condições para sua reprodução, esta tem se reinventado em ações cotidianas que articulam experiências, saberes e trocas sociais, que tem lhe permitido continuar a existir. No período entre 1970 e 1980 o município de Catalão (GO) recebeu empresas mineradoras de capital estatal e privado que territorializam em área rural (onde moram predominantemente famílias camponesas) para explorar as jazidas minerais de nióbio e fosfato, ocasionando um conflito pelo uso do território. Diante desta realidade nos propusemos a pensar sobre a ocupação de um território a partir de duas racionalidades diferentes. De um lado, objetiva-se a exploração de minerais para a indústria correspondente, e de outro se tem famílias camponesas que buscam na terra os recursos para viverem. Delimitamos como objetivo geral da pesquisa compreender as transformações socioeconômicas, culturais e ambientais que estão ocorrendo na Comunidade Macaúba em função do processo de territorialização e expansão das indústrias mineradoras. A vinda dessas empresas significou, para alguns, sinônimo de crescimento econômico e “desenvolvimento” para a cidade. Por outro lado, gerou uma série de efeitos negativos para o meio ambiente e para as comunidades do entorno da área ocupada, com a destruição de áreas de Cerrado. Há também a poluição sonora, do ar e da água, que afetam diretamente as comunidades onde essas empresas se territorializaram, como a Comunidades Macaúba, localizada no município de Catalão (GO). Outro efeito que atinge a Comunidade refere-se à desterritorialização de famílias camponesas que se vêem obrigadas a arcarem com os efeitos, por vezes dolorosos, desse processo. Os efeitos das mineradoras na Comunidade são sociais, econômicos, ambientais e culturais. No entanto, mesmo diante de tantos impasses, a Comunidade continua a existir, a se reproduzir, se reinventando diariamente, criando para isso estratégias que perpassam o trabalho, laços de solidariedade, o lazer, a vida em comunidade. Há uma organização da Comunidade para continuar a existir, em uma forma de resistência silenciosa, onde a Comunidade resignifica suas existências, resgata seus costumes como os mutirões, as rezas, as festas, o futebol, a cavalgada.

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FERREIRA, Ana Paula da Silva de Oliveira. Territórios em conflito: a comunidade Macaúba/Catalão (GO) e a territorialização da atividade mineradora. 2012. 174 f. Dissertação (Mestrado em Geografia) - Universidade Federal de Goiás, Catalão, 2012.

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