Arquegenealogia bajubeira: uma análise de práticas de poder e resistência
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Universidade Federal de Goiás
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Submersa no interior da Análise do Discurso (AD) de linha francesa, esta dissertação, cuja pesquisa utiliza metodologia qualitativa e teórica-descritiva-analítica, trata do entendimento do bajubá enquanto resistência frente ao dispositivo heterocisnormativo a partir das obras de Michel Foucault. Com base no questionamento do filósofo “quem somos nós hoje?”, em O sujeito e o poder (1995), este estudo diz respeito ao sujeito contemporâneo, mais precisamente o sujeito bajubeiro. Considerando o empenho foucaultiano em atestar que o exercício do poder não está dissociado das práticas de resistência, este trabalho se propõe a demonstrar esse funcionamento a partir de uma ação de contraconduta de alguns profissionais da Educação. Trata-se, também, de certificar esse mesmo funcionamento por meio de práticas de escapes, buscando a compreensão de como os sujeitos são subjetivados de forma a performatizar identidades paradigmáticas e de como o sujeito bajubeiro, julgado abjeto dentro desse sistema, resiste por meio do bajubá. Assim sendo, esta produção analisa os jogos de poder referentes às expressões e aos papéis de sexo/gênero na atual sociedade brasileira, tendo como corpus um grande acontecimento discursivo, a prova do ENEM de 2018, na qual emerge uma questão sobre o objeto discursivo bajubá, possibilitando o estabelecimento de um campo associado, funcionando como condição de possibilidade para que essa pergunta pudesse aparecer no exame. Para tanto, numa empreitada arquegenealógica e cartográfica, utiliza-se um instrumental teórico-metodológico da Análise do Discurso para pensar os processos de subjetivação relativos às questões da sexualidade como resultado de uma construção discursiva sócio-histórica. Os resultados obtidos apontam que a resistência à heterocisnormatividade ocorre por meio de enfrentamentos permanentes, e não pela busca de uma liberdade absoluta, já que, em perspectiva foucaultiana, isso não é possível de cumprir-se. Sendo o bajubá uma técnica poderosa de subjetivação, esse enfrentamento processa-se pelo combate ao pensamento essencialista de gênero e à heterocisnormatividade, seja por meio de contracondutas, seja por técnica de um “cuidado de si”; isto é, o sujeito bajubeiro performatiza identidades subversivas, experimentando outros modos de condutas, em um trabalho de si sobre si, num processo de luta contra subjetividades desenvolvidas a partir da concepção de que fatores fisiológicos determinam a sexualidade em todas as suas dimensões.
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CAMARANO, Pedro A. Arquegenealogia bajubeira: uma análise de práticas de poder e resistência. 2020. 138 f. Dissertação (Mestrado em Estudos da Linguagem) - Universidade Federal de Goiás, Catalão, 2020.
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