Por uma estrada de tijolos amarelos e pela terra do nunca a magia acontece: engenho e arte no universo pop-up de Robert Sabuda
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Universidade Federal de Catalão
Abstract
A literatura, enquanto fenômeno artístico, proporciona aos leitores a fabulação e a fruição estético-literária. Entre as muitas ramificações que os estudos literários comportam está a literatura infantil e juvenil, que para leitores vários, potencializa o poder que as palavras fabulação e fruição podem representar. Assim, nasce, deste campo literário, por exemplo, os livros que interligam o código verbal ao visual, resultando numa verdadeira riqueza e diversidade de imagens. Para além disso, é possível perceber, nas produções potencialmente direcionadas ao público infantil e juvenil, sobretudo nas mais experimentais, tramas várias em que o projeto gráfico-editorial e a apresentação da narrativa clamam por uma classificação peculiar, intitulada livros-objeto. Nesta senda da produção literária residem as obras pop-up em que texto e imagem se conectam numa engenharia de papel, demandando novos protocolos de leitura relacionados aos movimentos dos leitores, (de abrir abas, fazer girar mecanismos de papel e outros). É nesta intrínseca relação entre código textual, visual e cinético que as discussões a serem apresentadas nesta Dissertação foram edificadas. Tivemos por objetivo analisar duas narrativas lançadas a público em versões adaptadas ao pop-up, a saber, O mágico de Oz (2014) e Peter Pan (2014), ambas concebidas pelo olhar criativo de Robert Sabuda. As análises perseguiram, em uma metodologia qualitativa, descritiva e analítica, o propósito de responder, entre outras, à seguinte pergunta: são estes enredos ora apreciados exemplos de tramas que promovem a fruição estético-literária ou, contrário disso, tratam-se de narrativas em que há o predomínio do discurso didático-moralizante, com fins meramente pedagogos? De forma a responder a essa e a outras questões abordadas no estudo, reportamo-nos a autores vários que teorizam sobre os campos de estudo da literatura, literatura infantil e juvenil principalmente tais como Candido (2004); Hunt (2010); Calvino (2007); sobre o código imagético, as contribuições teóricas de Oliveira (2008); Ramos (2020) e Linden (2014), sobre livros-objeto e pop-up, materializados teoricamente por González (2019); Carter e Diaz (1999) e Trebbi (2014). Destacamos como conclusão dos estudos realizados, principalmente, a multiplicidade de técnicas textuais, imagéticas e de movimento que puderam ser apreciadas no corpus do estudo, e, ainda, a presença de elementos que constituem tais enredos da potencialidade de fomentar a fruição estético-literária, afastando-os, assim, do discurso didático panfletário que, por vezes, perpassa obras potencialmente direcionadas a crianças e jovens.