Proposta de diretrizes e requisitos mínimos para a concepção de projetos hidrossanitários e recebimento de obras públicas – abordagem baseada em registros de ordens de serviço de manutenção predial

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Universidade Federal de Catalão

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A qualidade dos sistemas prediais de um edifício é determinante no bem estar, conforto e até mesmo na produtividade dos seus usuários. Em uma universidade, a ineficiência da manutenção predial pode comprometer até mesmo o cumprimento dos objetivos da instituição que é de gerar conhecimento. Considerando que o conceito de desempenho ganhou destaque nos últimos anos, faz-se necessária a avaliação dos sistemas construtivos a partir da relação entre o desempenho da instalação e suas medidas de conservação e manutenção, integrando nessa análise todas as etapas da construção. O objetivo desse trabalho é a elaboração de propostas com diretrizes e requisitos mínimos para a concepção de projetos e recebimento de obras baseadas na utilização de dados de manutenção em sistemas prediais hidrossanitários (SPHS) dos edifícios da Universidade Federal de Goiás. Busca-se mapear os sistemas prediais atingidos, verificar como a disponibilidade ou falta de mão de obra pode se relacionar com as demandas de manutenção e avaliar como a idade da edificação, sua área construída e o tipo de uso podem influenciar ou não nas demandas de manutenção dos SPHS. A pesquisa foi realizada através da análise de relatórios de ordens de serviço de manutenção predial da instituição durante o período de 2009 a 2019. Através do levantamento, observou-se que ao longo dos anos o avanço da estrutura física da universidade foi acompanhado de crescimento nas requisições de manutenção predial em seus edifícios. Os sistemas prediais foram objeto de cerca de 60% das solicitações ao longo dos anos, sendo que a partir de 2016, os SPHS foram a categoria com maior número de solicitações, com participação superior a 24%. Associado a isso, foi observada redução considerável de mão de obra relacionada diretamente aos SPHS. Observou-se durante o levantamento que a ocorrência de demandas de manutenção nos SPHS teve relação direta com a ocupação das edificações. Durante o período da pandemia de SARS-CoV-2 (covid-19), houve redução menor nas demandas de manutenção referentes aos SPHS que as demais solicitações. Edificações com alta ocupação e voltadas para o atendimento de amplo público universitário foram as de maior incidência de manutenção nos SPHS. Verificou- se alta participação de edificações com menos de 5 anos na manutenção predial da instituição. Na avaliação comparativa de edificações com idades diferentes, observou-se que edifícios considerados novos ou recém inaugurados tiveram desempenho inferior a edifícios com idades mais avançadas, o que desperta preocupação com a qualidade de concepção dos projetos e execução de obras nos dias atuais. Foi verificado ainda que o baixo desempenho das novas obras está relacionado ao uso de materiais de qualidade inadequada, problemas de execução e aponta a necessidade de melhorias nos processos de contratação e projeto de obras públicas. Com o estudo, também foi possível observar que a incidência de defeitos e falhas nos SPHS de edificações com faixas de idade mais avançadas decorrem das deficiências e irregularidades nas atividades de manutenção preventiva, ao mau uso e ao desgaste natural dos equipamentos. Com base nas observações realizadas, são apresentadas propostas de critérios a serem abordados na elaboração de planos de manutenção e diretrizes e requisitos mínimos para ações de concepção, fiscalização e recebimento de obras. As proposições realizadas nesta pesquisa subsidiam a implantação mais criteriosa de planos de manutenção por órgãos governamentais e ainda validam ações que visam a melhoria das fases de concepção de projetos, execução, fiscalização e recebimento de obras similares.

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