Heterogeneidade discursiva na mídia impressa: o caso do "maníaco de Luziânia"

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Universidade Federal de Goiás

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Esta pesquisa tem como escopo analisar as formas da heterogeneidade discursiva, conceito cunhado por Jacqueline Authier-Revuz (2004), presentes no discurso midiático sobre a violência. Para tanto, analisaremos sequências discursivas produzidas sobre o caso do ―maníaco de Luziânia‖, em que o pedreiro Admar de Jesus Silva estuprou, assassinou e ocultou os corpos de seis jovens no município de Luziânia-GO. Essas sequências discursivas, materializadas em vinte textos - entre reportagens, notícias e entrevistas - constituem o corpus da nossa pesquisa. Os textos foram divulgados entre os dias 12 de abril a 21 de maio de 2010 por quatro veículos diferentes: o jornal Diário de Catalão, de circulação local; o jornal O Popular, de circulação regional; o jornal Correio Braziliense, de circulação regional, e a Revista Veja, de circulação nacional. A partir da análise da presença das heterogeneidades discursivas, interpretamos os efeitos de sentidos sobre a violência produzidos por meio do discurso midiático. Para o desenvolvimento da temática, adotamos como base teóricometodológica a Análise do Discurso (AD) de linha francesa articulada à perspectiva adotada pela linguísta Authier–Revuz sobre a questão da heterogeneidade discursiva. Em nossas análises, fundamentamo-nos especialmente nos conceitos de: sujeito, efeito de sentido, formação ideológica, interdiscurso, memória discursiva (Pêcheux); formação discursiva (Foucault e Pêcheux); paráfrase (Pêcheux, Fuchs e Athayde Júnior) e heterogeneidade discursiva (Authier-Revuz). Nossa análise, primeiramente, versa sobre a heterogeneidade constitutiva. Através das sequências discursivas, percebemos que, em meio a uma dispersão de enunciados sobre o caso, alguns são regulares e podem ser agrupados em uma mesma formação discursiva. A interdiscursividade contribui para a constituição da formação discursiva, pois, cada formação discursiva, ao manter relação interdiscursiva com as outras, acaba retomando o já-dito. Isso possibilita a constituição das relações parafrásticas, que apontam para a presença da heterogeneidade do discurso. Posteriormente, nossa análise trata da heterogeneidade do tipo mostrada-marcada. Notamos que a mídia utiliza-se frequentemente dessa heterogeneidade para demarcar a presença do Outro no seu discurso, seja como forma de dar autenticidade ao seu discurso, isentar-se de responsabilidades, causar sensacionalismo, ou comoção.

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SILVA, Raquel DIvina. Heterogeneidade discursiva na mídia impressa: o caso do "maníaco de Luziânia". 2014 . 218 f. Dissertação (Mestrado em Estudos da Linguagem) - Universidade Federal de Goiás, Catalão, 2014.

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