Autoria, devir e interdição: os “Entre-lugares” do sujeito no romance Úrsula
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Universidade Federal de Goiás
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Esta pesquisa objetiva identificar os “entre-lugares” do sujeito a partir da narrativa Úrsula, de Maria Firmina dos Reis, romance maranhense do século XIX, localizado na temporalidade romântica. Esse livro, publicado em 1859, na ainda província de São Luís, capital do Maranhão, apresenta como eixo temático aspectos ligados à escravidão e à condição de inferioridade enfrentada por mulheres na sociedade colonial e oitocentista maranhense, bem como a presença inédita da escrita de autoria feminina no contexto supracitado. Esse cenário nos dá a dimensão de análise a partir das formações discursivas das personagens e das posições sujeito da autora, identificado pelo pseudônimo “Uma Maranhense”, que juntos constituem o objeto de estudo desta dissertação. Para o desenvolvimento da pesquisa, optamos pelos postulados teóricos da Análise do Discurso (AD) de linha francesa, que busca em Michel Foucault um diálogo mais próximo, a partir do qual discutiremos elementos sobre a relação entre história e literatura a partir de Foucault, com o intuito de observar como esses conceitos podem ser integrados no campo da AD. Ao longo do trabalho, atentamo-nos aos conceitos foucaultianos de autor, história, sujeito e poder. Soma-se aos postulados foucaultianos, o conceito de “Devir”, concebido por Gilles Deleuze, que nos ajudou a entender o projeto autoral do romance como um “entre-lugar”, que indica tanto a adesão da autora às praticas discursivas literárias do século XIX quanta a ruptura aos modelos impostos. A pesquisa primeiramente versa sobre o campo disciplinar da AD, percorre o contexto da sociedade oitocentista maranhense no que diz respeito à produção literária e os costumes da sociedade e problematiza as teorias que darão sustentação a análise. Finalmente, desenvolve a análise de sequencias enunciativas do romance, que versam sobre a questão da escrita de autoria feminina no século XIX e das condições subalternas de mulheres e negros na sociedade maranhense. Nesse sentido, na análise, a partir dos “entre-lugares” do discurso no romance, analisamos os movimentos que indicam um diálogo entre o projeto autoral indicado no prólogo com os dizeres das personagens e narradora, a partir das formações discursivas em torno da escravidão, submissão feminina e patriarcalismo. Com a ajuda de Foucault, entendemos que os discursos sempre se relacionam com a sociedade e com a história; por esse motivo, a análise dos acontecimentos discursivos em Úrsula nos levaram a problematizar o porquê dessa obra estar fora do cânone e entender como as práticas discursivas do século XIX tentavam interditar obras de autoria feminina e de temáticas abolicionistas.
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RIO, A. C. C. Autoria, devir e interdição: os “Entre-lugares” do sujeito no romance Úrsula. 2015. 136 f. Dissertação (Mestrado em Estudos da Linguagem) - Universidade Federal de Goiás, Catalão, 2015.
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