Práticas de normalização e enclausuramento: a constituição do sujeito louco em circulação nos discursos das mídias
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Universidade Federal de Catalão
Abstract
Esta dissertação visa discutir a produção do lugar discursivo da loucura em circulação nos discursos midiáticos em tempos de Reforma Psiquiátrica, problematizando os efeitos de verdade dos mesmos. A materialidade e o corpus desta dissertação são compostos por 22 reportagens extraídas de sites variados que se encontram disponíveis na Internet. As entrevistas contêm relatos de moradores de bairros que receberam o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e que produzem enunciados referentes à loucura e o corpo do louco em circulação no território, constituindo as séries enunciativas e as reportagens compõem o arquivo da pesquisa. A perspectiva teórico-metodológica utilizada será composta de conceitos advindos dos Estudos Discursivos Foucaultianos, baseada especialmente nos escritos deste autor que tratam sobre a loucura, a disciplinarização dos corpos e a produção de subjetividade. Sob a ótica da leitura arquegenealógica, busca-se quais são os enunciados que advém da relação história e memória da loucura e que ecoam hoje, anos depois, no discurso dos moradores de bairro que receberam um CAPS. É o que se propõe refletir por meio do discurso midiático em torno da loucura: sua relação de pertencimento à história da loucura e a memória atualizada para se referir ao lugar discursivo dos sujeitos loucos. Como resultados, percebemos que os domínios da memória e de saberes jurídicos e médicos produzem discursos sobre o que é a loucura e quem é o louco, discursos estes que incidem sobre o corpo do louco e os destinam para a lógica higienista, policialesca e segregacionista. Enunciados que marcaram o corpo do louco em outros períodos históricos retornam atualizados nos discursos e vozes atuais, fazendo com que o sujeito louco ainda ocupe o lugar de infame na sociedade.