Da América Latina a Iguarán: representação da mulher enquanto metáfora da colônia na obra Cem anos de solidão.
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Universidade Federal de Catalão
Abstract
O objetivo aqui proposto é analisar a personagem Úrsula Iguarán enquanto metáfora da colônia. A personagem é a matriarca da linhagem Buendía família principal da obra latino-americana Cem anos de solidão, do escritor colombiano Gabriel García Márquez. Tal análise pensa na subalternização da mulher colonial e quais as formas de subversão dessa prática, rompendo com as estruturas coloniais no processo de descolonização. A fim de investigar a mulher em analogia ao território colonial, pautamo- nos nas teorias pós-coloniais, que serão de grande importância para compreensão dos reflexos da colonização na América Latina e em seus habitantes. Não obstante, buscando apreender como a questão de gênero está intrínseca à subalternização, nos apoiaremos na teoria feminista a qual aparece em consonância com os estudos pós-coloniais. Neste interim, ainda relacionamos às duas primeiras teorias propostas os estudos subalternos. Para a execução desta pesquisa mediante os conceitos elencados, destacamos nomes como Gayatri C. Spivak (2010) que disserta acerca da subalternização da mulher do Terceiro Mundo e sua situação de duplamente colonizada, teoria reforçada por Tomás Bonnici (2012), que também integra nosso arcabouço teórico. Edward Said (2007), Boaventura de Sousa Santos e Stuart Hall (2009), contribuem com tessituras sobre colonialismo e pós-colonialismo, a fim de que diante das demais possibilidades de leitura de uma obra deparamo-nos com a possiblidade de enriquecer nossa investigação. Helleieth Saffioti (2013), Maria Lugones (2020) e Silvia Federici (2017) são teóricas feministas que analisam o gênero e a violência. Simone Weil (2019), Ruggiero Romano (1995), Eduardo Galeano (1978), Maria Ligia Prado e Gabriella Pellegrino (2014), são outros nomes que compõem nossa análise. A investigação aqui proposta evidenciou que a personagem feminina, enquanto mulher colonial relaciona-se metaforicamente à imagem da colônia, sob o jugo do colonizador e que ambas não aceitaram a opressão patriarcal imperialista sem práticas de resistência. Esta pesquisa busca contribuir com as teorias pós-colonial e feminista mediante a possibilidade descolonizatória a partir da literatura.