“Loucura, insensatez, estado inevitável”: discurso, humor e ironia em Mamonas Assassinas
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Universidade Federal de Goiás
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O humor é um recurso explorado por muitos sujeitos para materializar/reproduzir distintosdiscursos. A banda Mamonas Assassinas tem em suas composições um lugar povoado por
discursos que abusam de ironia e deboche, e ao mesmo tempo conseguem ilustrar críticas à
modernidade da vida globalizada. Tanto que, vinte anos após o fim da banda, os enunciados
deixados pelo conjunto continuam produzindo efeitos de sentido atuais. Em “Loucura, insensatez,
Estado inevitável”: discurso, humor e ironia em Mamonas Assassinas, objetivamos analisar os
discursos e os posicionamentos do sujeito discursivo presente nos enunciados re-produzidos pela
banda Mamonas Assassinas. O corpus de análise está materializado nas quatorze letras compostas
pelo grupo, e a descrição/interpretação desses enunciados segue a perspectiva da Análise do
Discurso francesa, amparada principalmente nos estudos de Michel Foucault e Mikhail Bakhtin. O
amparo teórico que fundamenta a pesquisa vem principalmente dos estudos arquegenealógicos de
Foucault, no que concerne às concepções de enunciado, sujeito discursivo e dispositivos de
poder/saber. Para compreendermos como se dá a configuração do humor na reprodução desses
enunciados, amparamo-nos sobretudo em estudos Bakhtin acerca da obra de Rabelais, ilustrando
também o conceito de carnavalização. Em face da constituição da banda enquanto sujeito
discursivo, buscamos matérias publicadas em jornais e revistas entre 1995 e 1996 que abordavam a
performance do conjunto, corroborando os posicionamentos que esses enunciados possibilitavam.
Os veículos selecionados são jornal O Globo e Revista Veja por se tratarem de mecanismos de
grande circulação. Na seção de análise, os enunciados das letras de música ficam dispostos em
séries enunciativas que seguem as regularidades: discurso de crítica social, discurso de crítica ao
consumismo e resistência a dispositivo de poder/saber de sexualidade. A análise transita em um
diálogo entre os estudos de Foucault e Bakhtin. A partir do desdobramento desses enunciados,
observamos o posicionamento discursivo de um determinando sujeito, que ora resiste ao exercício
de um poder, ora se inscreve nele. Contudo, esse posicionamento sempre se dá por meio de um
humor irônico, demonstrando como esse recurso é fundamental para a reprodução dos discursos
em questão.
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Citation
LIMA, M. D. N. “Loucura, insensatez, estado inevitável”: discurso, humor e ironia em Mamonas Assassinas. 2018. 80 f. Dissertação (Mestrado em Estudos da Linguagem) - Universidade Federal de Goiás, Catalão, 2018.
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