Relações dialógicas da crítica literária universitária: sobre Guimarães Rosa e Grande Sertão: Veredas

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Universidade Federal de Goiás

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O discurso da crítica literária universitária está intrinsecamente relacionado ao discurso literário, nesse caso, o aspecto crítico se refere à instauração de um discurso analítico e interpretativo (o da crítica) sobre outros discursos (o literário). Assim, objetivamos com a pesquisa “Relações dialógicas da crítica literária universitária: sobre Guimarães Rosa e Grande Sertão: Veredas” analisar a constituição dialógica e interdiscursiva de duas críticas literárias universitárias recortadas do Suplemento Literário de/do Minas Gerais, especificamente das obras O sertão e o mundo, de Antonio Candido (1967), e Os patamares da fabulação, de Walnice Galvão (2006) para mostrar o funcionamento social, histórico e ideológico do gênero do discurso artigo crítico literário, uma vez que ambas foram escritas por professores universitários e referem-se a propriedades linguísticas da obra Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa. Nesse sentido, as análises se fundamentam sob os pressupostos teórico-metodológicos da perspectiva dialógica da filosofia da linguagem pensada pelo Círculo de Bakhtin (1981; 1992; 1999; 2006) – especialmente as noções de diálogo e gênero do discurso e, também, aproximações com a Análise do Discurso de linha francesa, especificamente as contribuições de Dominique Maingueneau (2005; 2012) no que concerne, predominantemente, às concepções de discurso literário, ethos e interdiscurso. Para tanto, construímos interfaces do discurso da crítica literária universitária com outras áreas do conhecimento, como a Teoria Literária, a Filosofia, a História e as Ciências Sociais para se pensar o texto literário enquanto discurso. Inicialmente, evidenciamos as condições de produção da crítica literária universitária, tais como as principais correntes de críticas, constituição do gênero do discurso, fundamentos sobre a notícia e crítica ideológica. Ainda, reunimos prolegômenos para a constituição de uma discursividade rosiana, como as condições de produção do dizer, a posição de Grande Sertão: Veredas na historicidade da literatura brasileira, as imagens no discurso (ethos) do autor e sua obra e a recepção destes na universidade. Além disso, discutimos sobre o princípio dialógico e o primado do interdiscurso, assim como suas confluências e divergências epistemológicas para refletir sobre a proposta de um procedimento metodológico de análise e eleição de critérios de recorte do corpus. Por último, selecionamos sequências discursivas de ambas as críticas supracitadas e analisamos o imbricamento dos discursos filológico, estilístico, marxista, estruturalista e institucional com o discurso sociológico – em O sertão e o mundo – e discurso da crítica literária – em Os patamares da fabulação. Constatamos que o funcionamento do gênero artigo crítico literário acontece a medida em que o sujeito é constituído no discurso, inscrito em uma instituição (neste caso a universidade), a partir das condições sócio-históricas-ideológicas de produção que autorizam critérios de análise válidos e não-válidos, pois decorre da presença de atravessamentos de discursos outros nos dizeres.

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GUIMARÃES, Antoniel Tavares Silva. Relações dialógicas da crítica literária universitária: sobre Guimarães Rosa e Grande Sertão: Veredas. 2016. 158 f. Dissertação (Mestrado em Estudos da Linguagem) - Universidade Federal de Goiás, Catalão, 2016.

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