A constituição de um dispositivo de empoderamento feminino: práticas de poder e de resistência
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Universidade Federal de Catalão
Abstract
Através da língua, em seu funcionamento discursivo, é possível categorizar o mundo, produzir diferentes discursividades e novas formas de subjetividade em determinado momento histórico. Assim, dentro desta perspectiva, esta pesquisa se detém na materialidade discursiva dos enunciados de empoderamento feminino para promover as análises das relações de poder/saber que possibilitaram emergir os discursos sobre igualdade e diversidade de gêneros difundidos desde o início do século XXI. Sob a ótica foucaultiana, determinar o empoderamento como um dispositivo de poder que possibilitou o discurso feminista de emancipação da mulher e que foi, pelas práticas de objetivação e subjetivação dos corpos marginalizados, no escopo dos discursos sobre diversidade de gêneros. O empoderamento como dispositivo é uma possibilidade que se vislumbra como analista do discurso e parte do pressuposto que a emergência desse enunciado e sua constituição, enquanto dispositivo de poder, produz formas outras de subjetividade, possibilitando aos sujeitos o exercício de práticas de liberdade pela ética e pelo cuidado de si, ao mesmo tempo que materializam um processo de resistência aos discursos hetero(cis)normativos sobre sexualidade, sexo e gênero. Neste cenário, tem-se como objetivo geral verificar o enunciado de empoderamento como um dispositivo de poder-saber e sua relação com a emergência dos discursos de resistência que possibilitaram a produção de novas identidades. Além dos objetivos específicos: i) descrever as condições de possibilidade de emergência dos discursos de empoderamento e interpretar os efeitos de poder e resistência produzidos por esses enunciados no escopo de um dispositivo de poder/saber; ii)analisar a produção de novas formas de subjetividade através do enunciado de empoderamento nos grupos marginalizados; iii)expor os modos pelos quais os sujeitos transgridam as normas hetero(cis)normativas e, pelo dispositivo de empoderamento, exercem práticas de liberdade de suas existências. Desta forma, como hipótese foi delineado o empoderamento enquanto dispositivo de poder, uma vez que promove a constituição de sujeitos ativos/reativos de si mesmo, e no qual é possível identificar uma produção da subjetividade nestes corpos, impondo disciplinas e normas de condutas, ao mesmo tempo que se produz e se conduz. Como ferramenta metodológica será utilizado o referencial teórico dos Estudos Discursivos Foucaultianos, Gilles Deleuze (1992), dentre outros, e sob os preceitos destes autores refletir como estas relações complexas de poder constituíram o sujeito feminista e possibilitaram a emergência dos enunciados de luta pela igualdade e pela diversidade de gêneros nos dias atuais. O empoderamento se constitui como um dispositivo de poder à medida que possibilita a emergência de novas formas de existência e subjetividade, possibilitando aos sujeitos o exercício de práticas de liberdade pela ética e pelo cuidado de si, ao mesmo tempo que materializam enunciados de resistência aos discursos hetero(cis)normativos sobre sexualidade, sexo e gênero, e que foram, pelos discursos de resistência, ressignificados pelo movimento LGBTQIAP+ e possibilitaram condições de produção dos enunciados sobre igualdade e diversidade. Para a pesquisa nos propomos a analisar outro conjunto de corpus retirados dos enunciados midiáticos e disponibilizados nas redes sociais, os enunciados institucionais da ONU e ONU Mulheres, as leis da Constituição Federal do Brasil de 1988, além de artigos científicos que contribuam para o apoio referencial e metodológico.